Um acervo que começou no dia 7 de dezembro de 2010 e que acompanha vários momentos da minha vida, deixando registrado a transcrição de memórias, nós na garganta, revoltas, e um mundo de fantasias.
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
domingo, 7 de dezembro de 2014
Contrato natural
Comentário
dos textos “Contrato natural”; “A Terra sujeito de dignidade e de direitos”
ambos de Leonardo Boff, que fiz para aula de filosofia e ética na faculdade.
Vivemos uma crise resultante de anos de descuido e
descaso com a Terra. Por muito tempo, ignoramos (ou desconhecíamos) o fato de
que nossa relação com o planeta é mútua, e não unilateral, onde a Terra nos “serviria”
e nós consumiríamos, infinitamente. Isso tem relação com o texto “Contrato
natural” de Leonardo Boff; neste texto, ele mostra como ignoramos o contrato
natural com o planeta, fazendo valer -somente- nosso contrato social, que serve
para formular nossas normas e propósitos em comum, para conduzir nossa vida em
sociedade. Michel Serres, em sua obra “O contrato natural”, analisa a maneira
como se construíram os parâmetros da ciência e do direito, os contratos
instituídos na regulação das relações sociais: o contrato social, o direito
natural e a declaração dos direitos do homem, todos eles ignorando a natureza. Para
Serres, o peso da humanidade sobre o planeta torna necessário um novo pacto,
agora assinado com o mundo: o contrato natural, ele seria –portanto- o que nos
instruiria na relação “Terra-homem”, que reconheceria a natureza como portadora
de direitos, como todos nós somos. Nossa relação com a natureza não deveria ser
de servidão da parte dela, mas sim de abdicação por parte do homem, pois, com
as palavras de Leonardo Boff “ou restabelecemos a reciprocidade entre a
natureza e o ser humano e rearticulamos o contrato social com o natural, ou
então aceitamos o risco de sermos expulsos e eliminados de Gaia”. Além de
precisarmos entender a necessidade da criação desse contrato natural,
precisamos entender que a Terra é viva, assim como nós, e – por isso- também
precisa de dignidade e de direitos, como já foi citado. Isso, podemos confirmas
também em um texto de Leonardo Boff: “A Terra sujeito de dignidade e de
direitos”, onde ele cita que, por obra dos astronautas, do lado de fora, Terra
e humanidade fundam uma única entidade que não pode ser separada; logo, se elas
são uma só unidade indivisível, “podemos dizer que a Terra participa da
dignidade e dos direitos dos seres humanos”. Por fim, a conclusão que podemos
tirar é que, se quisermos continuar com o planeta que hoje chamamos de “nosso”,
precisaremos cuidá-lo e preservá-lo; amá-lo, não porque ele pode fazer com que
nossas infinitas necessidades sejam satisfeitas (até porque os recursos dela
não são infinitos), mas amá-lo como nossa casa, o que – de uma forma ou outra-
acaba sendo.
Links dos textos citados: “Contrato
natural” - http://www.diogenes.jex.com.br/cultura/contrato+natural+-+texto+de+leonardo+boff
/ “A Terra sujeito de dignidade e de direitos” - http://www.ecodebate.com.br/2010/04/22/a-terra-sujeito-de-dignidade-e-de-direitos-artigo-de-leonardo-boff/
domingo, 17 de agosto de 2014
sábado, 16 de agosto de 2014
sábado, 7 de junho de 2014
Preconceito
Confesso que, ao receber a proposta para escrever um texto sobre
preconceito, fiquei desnorteado. Trata-se de um tema que é tão integrado a
minha vida, seja como pessoa, em um todo, ou seja, como um estudante, apenas na
esfera acadêmica, que fica difícil dissertar plenamente sobre. E, também,
porque o preconceito é apenas um ponto de uma questão que se desdobra em várias
outras facetas. Proponho que façamos, juntos, uma análise geral e básica do
problema, para que possamos compreender de onde ele vem, em que se apoia e a
que fim serve. Contudo, para tanto é preciso que estabeleçamos um ponto de
partida. E este é: O preconceito nasce, justamente, na ignorância e, sustentado
nela, desenvolve-se. O preconceito não tem fundamento: é raso. Não tem
argumentos que o sustentem. Por isso, aqueles que tentam defendê-lo dizendo
"É a minha opinião" erram. Opinião tem base, é sustentada e se molda
sobre bons argumentos. Opinião é conceito. Logo, preconceito é, justamente, uma
pré-opinião. É importante, também, compreender que este se trata de uma ideia.
O preconceito é a noção que subsidia a discriminação. Porém, os dois não se
confundem. A ação discriminatória, que, de alguma forma, segrega e aparta, forma-se
sobre a égide do pensamento preconceituoso, concretizando-o. Algumas formas de
discriminação se sustentam por circunstâncias históricas e, dessa maneira, se infiltram
na cultura de um povo. E, por mais que sejam "escondidas", demonstram
suas consequências por todos os lados. Exemplo claro disso é o racismo.
Sutilizado no Brasil, mas que é legítimo e evidente, não só em instituições
específicas, como a polícia militar, que pratica um verdadeiro genocídio do
povo preto e pobre, como também em outros âmbitos: mercado de trabalho,
educação, e, até mesmo, na configuração da própria cidade, visto que os negros,
marginalizados desde quando chegaram ao Brasil, são jogados para as regiões
periféricas, enquanto os brancos dominam os bairros nobres. Agora, tendo
entendido o que é o preconceito e o que é a discriminação, podemos entender o
que ambos fazem: Oprimem, pois jogam à margem, calam e agridem. Levam os
oprimidos a empregos precários. Reservam-lhes uma educação péssima, que nada
mais serve a não ser para praticar a manutenção de seu estado. Logo, a opressão
é, por assim dizer, a consequência da discriminação que é, por sua vez, a
materialização da ideia preconceituosa. Entendemos, portanto, que o ponto mais
importante, em se tratando de tal questão, é justamente a opressão! E esta será
a palavra chave daqui por diante. As formas de opressão não se manifestam,
apenas, na violência ostensiva. Na verdade, em sua constante busca pela
naturalização, que, por consequência, leva ao seu não questionamento e, por
fim, perpetuação; as mesmas também se manifestam nos pressupostos que sustentam
as ações mais corriqueiras que possamos imaginar. Para ficar mais claro, cabe
aqui um exemplo: Quando um garoto, num jogo de futebol, dirige-se ao outro como
"Viado", após o segundo ter cometido um erro, é provável que este não
tinha a intenção de ser homofóbico ou de apoiar um sistema que mata um LGBT* a
cada 28 horas no Brasil. Contanto, o pressuposto que sustenta a sua ação serve,
exatamente, a este interesse. Como? Vamos analisar: A palavra "Viado"
vem ligada a orientação sexual homossexual. E vem, no caso, como consequência
de um ato negativo, logo como uma forma de repreensão. Como algo que possa ser
usado para agredir. O garoto que foi repreendido, por sua vez, fica irritado,
justamente por ter sido chamado de "Viado". Então notamos que ele
também acolhe a noção homofóbica, por acreditar, mesmo que inconscientemente,
que ser homossexual diminui alguém em sua dignidade e, portanto, julga que ser
chamado de qualquer coisa que seja relacionada à noção de ser homossexual, é
uma ofensa grave. Porém, caso alguém tente explicar como os pressupostos de
ódio se escondem nas mais simples ações, a resposta que terá vai ser "Não,
é apenas a emoção dos jogos, não há mal nisso". E é justamente aí que mora
o perigo. O preconceito, a discriminação, a opressão e, enfim, o ódio, manifestam-se
em TODOS os âmbitos da sociedade. E em todos os lugares tem a mesma função. Não
há um lugar em que é menos ou mais grave. Encarar que, em determinadas
situações, a opressão é tolerável permite que as pessoas sintam-se confortáveis
para demonstrar todo o ódio que sentem, mas reprimem nas relações sociais, sem
fazer nada para modificá-lo. Todos os ódios são ódios. Todos eles merecem ser
combatidos e não entendidos como naturais em algum contexto, pois - em todos os
contextos - tratam do mesmo discurso que fundamenta as centenas de mortes: o
discurso preconceituoso. Outro fato sobre as falas preconceituosas e
discriminatórias é que, aqueles que as reproduzem, tendem a, frequentemente,
defendê-las sob a desculpa da Liberdade de expressão. Quando lhe disserem isso,
não se preocupe. Trata-se de uma mentira gigantesca. Liberdade de expressão e
discurso de ódio não se confundem. A primeira não protege a segunda. Na
verdade, esta começa justamente quando aquela acaba. A partir do momento em que
alguém faz uso de sua liberdade para diminuir alguém em algum aspecto, tentando
atingir-lhe a dignidade, ela perde sua legitimidade e é desconsiderada.
Portanto, não. A liberdade de expressão não está a serviço da opressão. Além
dos problemas supracitados, existe um que é talvez ainda mais grave: a
reprodução do discurso opressor pelos próprios oprimidos. Gays que dizem que
afeminados são os culpados pela homofobia. Negros que se posicionam contra
políticas raciais. Mulheres que são contra a autonomia de suas irmãs de luta
sobre seus próprios corpos, e assim por diante. Trata-se de um meio de
legitimar a dominação aos grupos minoritários, fazendo com que eles mesmos se
coloquem como oprimidos, não resistindo, e, portanto, facilitando o processo
que os marginaliza. Para os que se interessam pelas teorias econômicas,
recomendo que reflitam e pesquisem sobre como o sistema capitalista se utiliza
dos grupos socialmente marginalizados para compor as classes mais baixas, que
vão possibilitar a sua existência, e como ele contribui para que essa
desigualdade seja mantida. Apesar de querer, eu não entrarei nesse mérito. Até
porque já estaria saindo demais do tema que me foi proposto, mas é
interessantíssimo o assunto. Bem, acho que isso é o suficiente para que seja
desenvolvida uma visão crítica sobre o preconceito, discriminação e opressão.
Espero que tenham gostado e espero que, no futuro, quando eu souber mais do que
sei agora, eu possa lhes contar mais um pouco. Enquanto isso, peço que não se
calem! Rebatam quando ouvirem um discurso de preconceito sendo reproduzido. A
única forma de destruí-los é, justamente, desconstruindo-os.
"Nossos lábios são fundamentais contra os
fundamentalismos".
Caio Prata
quarta-feira, 4 de junho de 2014
#FDFNALUTA
Foram, em média, 15 anos dedicados a um fim: passar no
vestibular. Muitos pensam que a escolha de uma faculdade começa somente no
ensino médio, mas não pensam na pressão que sempre existe em volta, tanto dos
familiares, tanto dos amigos, tanto até da mídia. Tal faculdade é isso, tal
faculdade é aquilo. E, quando você se dá conta, quer entrar na USP porque a USP
sim é a faculdade. Nunca sofri com
isso, sempre tive na cabeça que o que queria era uma faculdade boa, que me
daria um bom curso e que iria fazer de mim uma ótima profissional. Só escolhi o
curso de Direito no terceiro colegial e, quando decidi isso, uma das primeiras
faculdades que me falaram foi a FDF. FDF? Mas nunca vi essa tal de FDF na
televisão, nunca ouvi falar dela. Será que é boa mesmo? Será que meus 15 anos
de estudos serão compensados para sofrer com o vestibular dessa tal FDF? Tentei
e passei, de primeira. Imagine a emoção. Era o que eu queria, na faculdade que
eu escolhi. Quando disse para família “Passei na FDF!” todos exaltaram mais uma
vez o quão boa era a faculdade, faculdade esta com mais de 50 anos de tradição,
altos índices de aprovação na OAB entre outras mil e uma qualidades. Primeiro,
segundo, terceiro dia de aula. Comecei a ver problemas: do professor carrasco
até ao professor que - sinceramente - não tem mais condições para dar aula.
Pensei que era normal, afinal, na escola, fazem uma imagem da faculdade como um
bicho de sete cabeças pronto a qualquer momento para te jogar para baixo (e
digo aqui a vocês, que ainda entrarão na faculdade, que não é tão ruim e
impossível como os professores insistem em nos dizer no colégio... Não por
enquanto). Mas ai, um belo dia, entrou em discussão: e a Copa?! Descobrimos que
teríamos provas na Copa. Não entrarei no mérito se a Copa deveria ou não
acorrer no Brasil, porque o ponto do texto não é este, o fato é que, fizemos
uma votação e, na época, muitos alunos queria a passagem das provas para Agosto. A
direção nem se importou. A partir daí reparei que havia alguma coisa errada.
Como os alunos não conseguem sequer valer pelo seu direito de decisão? A
faculdade é movida por nós e não temos o direito de decidir quando faremos
nossas provas. Só que nós temos esse direito, não porque todo mês temos que
pagar nossa mensalidade, mas porque - em 2012 - foi feita a “Lei Geral da Copa”
que dava obrigação às Instituições de ensino de ajustarem seus calendários
acadêmicos com o evento esportivo. Dois anos para nossa direção dar um jeito
nisso. Nosso diretor – simplesmente - disse que a Lei era inconstitucional e facultativa.
Isso fez com que uma chama acendesse em nós, alunos, pagantes. Eu tinha cinco
meses de aula, era impossível para mim saber dos problemas que minha
tradicionalíssima faculdade enfrentava, entretanto, em Assembleia Geral
Extraordinária, convocada por nosso D.A., vi que esse era somente o começo do
fundo do poço. Posso elencar vários problemas aqui: falta de acessibilidade,
falta de paridade no Congresso, falta de atualização da biblioteca, falta de
prestação de contas, falta de uma grade curricular mais adequada, falta...
Falta de um ensino que seja tão excelente quanto fazem questão de exaltar.
Meros boatos. Não são só esses os problemas de minha faculdade, há muitos
outros. Inclusive a falta de respeito com nós, alunos. Quero saber o direito
que um diretor, ou qualquer outro que trabalhe lá, acha que tem para passar por
cima de nossas decisões. Direito para que e para quem? Amo essa frase, afinal,
em uma faculdade de Direito o próprio direito não é respeitado. Com certeza há
alguma coisa errada. Faço esse texto para mostrar minha indignação. Não me
arrependo de ter escolhido o Brejo (apelido carinhosamente dado a FDF),
todavia, arrepender-me-ia se não desse minha opinião e não escancarasse o
tamanho dos problemas que a Faculdade de Direito de Franca enfrenta. Como uma
autarquia municipal, acho que não seria mais do que justo se a Prefeitura desta
cidade nos apoiasse, afinal, como disse um caro colega em outra Assembleia
feita hoje, dia 4 de Junho de 2014, estamos sozinhos nessa. Por isso, caros
brejeiros, espero que toda essa chama não se apague. Estou no primeiro ano,
quero melhorias não só para meus próximos quatro anos e meio, mas para os bixos
que ano que vem e nós próximos estarão aqui. Esta é nossa faculdade, nós a
sustentamos. Não deixem a ânsia por melhoras acabar. Não deixe que a voz
autoritária, manipuladora e nada democrática de nossos “comandantes” nos
desanimem. Temos que estar unidos, somos um só por nossa querida FDF (e vale
ressaltar aqui que brigas internas de nada apoiarão nosso movimento). A Faculdade
de Direito de Franca conta com a participação dos estudantes de agora, dos que
irão se tornar brejeiros um dia e até dos que já se formaram, porque sei que
estes estão sentido orgulho do que estamos fazendo, haja vista que nunca houve,
na história da FDF, tamanha mobilização como esta. Por tudo isso, somente
encerro com um: AVANTE BREJO! Faça valer o renome que você tem por de trás de
seus muros.
terça-feira, 13 de maio de 2014
Homenagem
Nesta
última segunda-feira, dia 12/05/2014, minha avó foi homenageada como a mãe do
ano em minha cidade, e eu fui escolhida para fazer a homenagem em nome dos meus
primos. Gostei de como ficou e decidi postar o texto aqui no blog.
sábado, 3 de maio de 2014
Um texto idiota (ou não)
Já parou
para pensar que enquanto você lê este texto sua vida toda está mudando? Por que
tudo hoje em dia é tão rápido? Estranho isso. Já tive medo de dormir pensando
que ia acordar no outro dia com algo completamente diferente, e, ás vezes, isso
acontecia mesmo. É engraçado - e assustador - ver que, em 24 horas, ou menos, algo
importante - ou não - tenha mudado. Mudou e você nem percebeu. Santa tecnologia. Em
menos de 24 horas você perdeu um amigo, não no sentido literal da coisa, mas
sim no sentido que o Whatsapp ou chat do Facebook te possibilitou, todavia “perder”
no sentido de que, por algo idiota ou não, em questão de minutos vocês se
odeiam. Aliás, resolvi escrever esse texto por isso, aliás, também, nem sei
como comecei a escrever isso, e talvez essa seja a parte boa da tecnologia, eu, simplesmente, estava no Facebook, olhei uma foto, recordei momentos, abri o Word
e comecei a escrever; prático, rápido. Entretanto, tecnologia não é o ponto
deste texto. Eu mesma não aguento mais ler ou escrever sobre “Os prós e contras
da tecnologia atualmente”, todo mundo está cansado de saber disso, mas não tinha
parado para pensar como tudo ao meu redor transforma-se tão rápido. Voltando ao
meu amigo (e darei este exemplo já que, aparentemente, foi o motivo pelo qual
este texto "nasceu"), não lembro ao certo o dia, mas sei que em
questão de horas nós passamos de “bffd’s” que dividem uma faculdade para
pessoas que se odeiam... Que se odeiam, será? Será ou não isso é realmente muito
engraçado. Engraçado como as relações hoje em dia são tão frágeis. Frágeis como
porcelanas. Finas, tênues. E o mais assustador é que não havia percebido isso
até começar a escrever esse texto e sabem o por quê? Porque abominava toda essa
“clichezação” dos relacionamentos de hoje – e não nos limitemos somente aos
amorosos – e agora, por conta de uma sessão de cinema, aparentemente, eu e meu
amigo nos “odiamos”. Talvez no passado realmente fosse melhor, fosse mais
gostoso, se posso dizer assim. No passado não tínhamos tanto tempo para pensar
em coisas que o outro pudesse fazer para nos irritar, e hoje passamos tanto
tempo conectados uns aos outros que qualquer coisa nos irrita, nos faz brigar,
nos faz perder a cabeça. Não estou dizendo, de maneira alguma, que isso seja ruim (estarmos conectados), estou dizendo que, para variar, exageramos na dose,
e todos sabem que tudo em exagero faz mal. Um mundo rápido demais, clichê
demais, conectado demais, frágil demais, tudo demais. Mesmo com tudo no demais,
até mesmo amigos demais, conhecidos demais, até mesmo com tudo isso, ninguém
consegue viver com esses relacionamentos frágeis, perdendo o tempo com coisas fúteis,
brigando por coisas mesquinhas... E como perdemos tempo com coisas mesquinhas...
Picuinhas, fofoquinhas, briguinhas, intriguinhas, ciuminhos, ofensinhas, provocaçõezinhas...
Uma vidinha... Medíocre. Talvez esse texto não tenha nexo nenhum, quem, em sã consciência,
resolve falar da briga idiota (ou não), que teve com o amigo também idiota (ou
não), para “filosofar idiotamente” (ou não), sobre como a vida anda rápida,
frágil e fútil. Talvez tenha sido mais um desabafo ou talvez alguém realmente
leia este texto e repense no tempo que está perdendo fazendo tudo com “inha” na
própria vida.
quinta-feira, 13 de março de 2014
Presságio, por Al Capone
Fome
e cansaço me resumiam. Minha dona não entendia que eu estava velho demais para ficar
correndo. Ela ainda achava que eu era o mesmo cão de uns cinco anos atrás, mas
não era. Chegamos à esquina de nossa rua, avistei nossa casa e quis sair
correndo para chegar logo - na verdade - sempre faço isso, todavia, meu
instinto dizia que hoje não deveria deixar Helena sozinha, nem por um minuto.
Chegamos e, não sei por que, mas hoje ela demorou mais que o normal para abrir
a porta e senti seu susto quando a rua toda se apagou. Finalmente entramos, enquanto
esperava minha dona se ajeitar, estirei-me no tapete da sala e, depois, fui dar
uma volta na casa. Já estava indo comer quando ouvi um grito, logo percebi que
era a voz de Helena. Saí correndo, o mais rápido que conseguia, ela estava
caída no chão. Dei-lhe uma lambida, ela me olhou assustada - muito assustada -
e me abraçou. Por mais que eu estivesse velho, Helena sabia que daria minha
vida para salvá-la. Nós tínhamos uma relação muito forte e eu me sentia seguro
com ela e via que ela se sentia segura comigo. Esperei ela se levantar, fui em
direção ao sofá, para ver se ela entendia que eu queria que ela se sentasse.
Geralmente, é minha dona quem dá “batidinhas” como que dizendo: venha, sente-se
ao meu lado Al Capone! E eu sempre vou. Só que hoje, tive que fazer ao
contrário, e, aparentemente, ela entendeu, pois logo se sentou e começou a usar
um aparelho, que não sei bem ao certo o que é. Achei que ela já estava melhor e
fui, finalmente, saciar minha fome, dessa vez iria rápido, porque tinha que
voltar e ficar com Helena. Comecei a comer e ouvi-a correndo. Fui até a sala e
ela não estava mais lá. Não entendi
porque ela saiu e me deixou sozinho, entretanto, achei que logo voltaria.
Pensei em subir para o quarto dela, mas estava muito cansado e resolvi
deitar-me no sofá da sala mesmo. Nunca conseguia dormir direito, afinal, eu era
um cão de guarda, e, à noite, se um galho de árvore balançasse, eu já estava
acordado checando tudo. Por isso, quando ouvi um barulho (parecia que vinha da
cozinha) levantei-me e fui fazer meu serviço: checar. Lembrei que Helena ainda
não havia descido e pensei que ela havia ido buscar alguma coisa para podermos
ir dormir, não entendi bem. Fui devagar, sem fazer barulho, para não assustá-la.
No entanto, quanto mais perto chegava, menos era o cheiro dela que eu sentia,
ou então só estava ruim de faro mesmo. Percebi que estava na cozinha e senti
alguém lá. Minha dona se assustou comigo, eu senti, já ia dar uma lambida,
pedindo desculpa, quando vi algo vindo em minha direção e, de repente, senti
alguma coisa penetrando minha pele, era pontudo, afiado, rasgou tudo dentro de
mim. Soltei um ganido forte e agudo, caí no chão. Tudo começou a embaralhar.
Não entendia porque ela havia feito isso comigo. Será que ficou muito brava por
eu tê-la assustado? Por que Helena me feriu de tal maneira? Não entendia, não
entendia. Não pensei em revidar, ela era minha dona, minha companheira, eu não
tinha capacidade de avançar nela, e nem forças. Entretanto, fui forte o
bastante e ouvi-la gritar meu nome. Sim, ela gritou! Não era ela! Ela gritava
de longe! Ouvi-la gritar várias vezes: “Al Capone, Al Capone!”. Tive vontade de
fazer como fiz algum tempo atrás, quando ela gritou e saí correndo para dizer
“Estou aqui”, só que não conseguia, não conseguia ao menos soltar um latido,
mais fraco que fosse. Quem me enfiou aquele objeto, ainda me observava. Aquele
cheiro... Aquele cheiro era conhecido. Ele me pegou pelas patas e me arrastou
no chão. Eu tentei, tentei fazer força... Não conseguia. Sabia que Helena
estava em perigo. Quis ser mais forte e me senti um completo inútil com aquele
furo na barriga que não parava de jorrar sangue. Minha dona estava em perigo e nada poderia
fazer. A tal pessoa saiu de perto de mim, mas ainda sentia alguém por ali. Vi
uma luz... Fui ficando mais fraco... Minha respiração já estava parando... Senti um calafrio alastrando-se em meu
corpo... Meu coração acelerado... Entretanto, mesmo achando que já havia
partido, consegui sentir o último abraço que Helena deu em mim.
domingo, 9 de março de 2014
Católicos de porcelana
Sou a favor de pessoas que só falam sobre o que sabem e,
por isso, seria pura hipocrisia vir e falar sobre as diversas religiões
existentes. Vou, portanto, discorrer somente sobre aquela que eu nasci, e vivo,
até hoje. O catolicismo foi, por décadas, a religião predominante no mundo, mas
não é segredo a ninguém que a porcentagem de cristãos tem reduzido. Penso eu
que as causas disso são os vários escândalos em que a Santa Igreja se envolveu
nos últimos tempos. Entretanto, seria maçante escrever todo um texto sobre algo
que é de conhecimento de boa parte da população. Recordando um pouco de história,
na época do Absolutismo - que corresponde aos séculos XVI/XVIII - as pessoas chegaram a comprar cargos na Igreja,
pois, naquele tempo, era “status” ser, de qualquer maneira, membro do clero.
Três séculos depois, o que vejo não é uma situação tão diferente. Conheci
muitas pessoas que iam à missa, às procissões, aos retiros, porque achavam
“bonito”. E sim, estamos em pleno século XXI. Quando eu ia a alguma celebração
religiosa era mais assustador ainda: por várias vezes e um grupo de jovens se
apresentava: dançavam, apresentavam-se, faziam tudo o que sabiam (e não sabiam)
e eu sempre questionava o porquê daquilo tudo. Sempre me perguntei se Deus,
realmente, necessitava de danças e mais danças no meio de uma missa, momento
sagrado, que deveria ser uma “conexão” dos fiéis com Deus, e a resposta que
cheguei é que não. Não precisava daquilo, não precisava de nada daquilo. Além
disso, nas poucas vezes que fui à missa, nesses últimos meses, percebi que ela –
que, como já disse, é um momento sagrado, - estava virando um “show sagrado”.
Televisões, slides, tudo de última geração. E, novamente, perguntei-me se tudo
aquilo era necessário e cheguei à conclusão, de novo, de que não, de que algo
estava errado. Retomando sobre as pessoas, é até patético. Não vou mentir e
dizer que todas às vezes que fui à missa prestava atenção em tudo, ninguém
presta, reparei, todavia, que a Igreja havia se tornado um “point” para os
adolescentes. Chegavam sempre juntos, conversavam e ficavam mexendo no celular
todo o tempo, e, depois, saiam para jantar em algum lugar. A Igreja então se
tornou um daqueles lugares em que nós, jovens, nos encontramos para fazer um
“esquenta” e depois ir a alguma festa. No entanto, não falarei somente dos mais
novos, pois os mais velhos, alguns deles - por mais que tentem preservar essa
imagem a todo custo - também não são “santos”. Assim como em uma empresa, onde
se “puxa o saco do chefe” para fins diversos, na Igreja, da cidade local, o
chefe torna-se o pároco, e ai tudo é mais complexo. Envolvem-se interesses.
Para que? Para ficar mais próximo de Deus? O desfecho dessa história é que
percebo que o próprio ato de “ter fé” perdeu o seu valor. Hoje, é necessário,
somente, mostrar que você tem fé. Várias vezes me criticaram: amigos, parentes,
porque parei de frequentar a Igreja e, por várias vezes, os confrontei dizendo
que não precisava ir à missa e afins para acreditar em minha fé. Nossa fé não é
reforçada porque vamos à missa todos os domingos, porque queremos participar de
tudo o que a Igreja oferece (isso ajuda, claro), entretanto, nossa fé é
reforçada no dia a dia. Católicos de porcelana que, simplesmente, não possuem a
fé que mostram - a todo custo - ter dentro de si, são católicos no adjetivo,
mas não no ato de ser.
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sexta-feira, 7 de março de 2014
Presságio
“Vamos,
já para dentro, rápido!” gritei para o meu cachorro. Meu desespero para entrar
e me aconchegar em casa era mais que evidente, ressaltado pelo meu tom de voz
mais grave e assustado como nunca esteve antes, por isso, quando chamei, Al Capone
entrou em uma corrida só e logo estirou-se no tapete da sala. O céu estava
nublado, sem nuvens, sem estrelas, totalmente escuro e achar as chaves de casa
foi um sacrifício com a luz do poste falhando e, quando consegui achar a chave
certa, a luz deu um estouro e apagou-se. Olhei ao redor, um papelão passou
voando na calçada encoberta pela escuridão, o que me assustou. Nunca fui de me
assustar fácil, mas estava com uma sensação ruim. Liguei a lanterna do celular,
entrei em casa, acendi a luz, mandei meu cachorro entrar e tranquei a porta.
Pensei que iria chover. Minha vizinhança sempre foi barulhenta, tanto é que,
por vezes, briguei com eles por conta disso e, por vezes também, já me
ameaçaram, pois sempre foram ignorantes o suficiente para não aceitarem um
pedido simples, como: abaixem um pouco o som, essas coisas. Entretanto, hoje,
um sábado à noite, estava tudo quieto, estranhei e fui até a janela ver se
havia alguma luz acessa na casa ao lado, abri a cortina da sala e, de repente,
vi um vulto passando. Dei um grito e cai para trás, meu cachorro veio correndo
em minha direção. Ele era um rottweiler, cuidava da casa e de mim, e todos
sabiam o quão bravo ele era. Comecei a chorar e resolvi que ligaria
imediatamente para a polícia, tremia tanto que, ao pegar o telefone para
discar, derrubei-o no chão umas três vezes, até que, finalmente, consegui, ou
achei que tinha conseguido. A ligação não completava, dizia que o número da
polícia havia mudado, como seria possível o número da polícia mudar? Pensei que
era problema com o telefone e tentei com o celular. Acontecia a mesma coisa.
Entrei em desespero, tinha se passado uns dez minutos desde que vi o vulto na
janela e já estava tão neurótica que ouvi Al Capone comendo e corri para me
esconder no banheiro achando que tinham conseguido invadir a minha casa. Fiquei
trancada no andar de cima ligando, insistentemente, para a policia, alternava
entre o celular e o telefone, mas a mensagem era sempre a mesma. Foi quando o
que eu menos esperava aconteceu, minha casa toda se afogou na escuridão. Fiquei
paralisada, olhava por todo o banheiro e não via um ponto de luz sequer.
Novamente acendi a lanterna do celular. Havia algumas coisas do meu ex-marido
no armário e achei um refil de gilette, segurei firme e pensei que somente com
aquilo estaria segura, quanta inocência. Estava no mesmo lugar pensando no que
faria, e quis ligar para Jorge, meu ex. Não havia mais ninguém que eu pudesse
chamar, não tinha parentes e a maioria dos meus amigos estava indo viajar, já
que hoje era o primeiro dia de um feriado prolongado. Todavia, depois de um
tempo, cheguei à conclusão de que ligar para Jorge seria pior. Não tivemos um
divorcio fácil, brigamos muito no Tribunal e ele já me disse várias vezes que,
um dia, faria de tudo para tomar o que é meu e eu estava em uma situação
totalmente vulnerável, não duvido nada de que ele pudesse tirar proveito disso.
Então, resolvi que tinha que sair do banheiro, afinal, meu cachorro estava lá
fora, sozinho, e não podia ficar o resto da madrugada escondida. Abri a porta e
já estava quase descendo as escadas quando ouvi um ganido, forte e agudo.
Deixei tudo cair no chão, arregalei os olhos e, instintivamente, saí correndo.
Não enxergava nada, cheguei ao final da escada e comecei a andar de um lado
para outro sem saber ao certo onde estava. Comecei a ficar descontrolada. Parei
de andar e gritei sucessivamente “Al Capone! Al Capone!” esperando uma
resposta, esperando qualquer coisa, quando, num piscar de olhos, a luz
acendeu-se. Olhei assustada tudo ao redor e, quando me dei conta, olhei para o
chão. Meu cachorro estava aos meus pés, morto, ensanguentado. Havia sido
esfaqueado: uma só facada, na barriga. Inicialmente, pensei em como conseguiram
fazer aquilo, parecia que ele nem sequer havia reagido. Fiquei em choque. Cai
de joelhos no chão, peguei-o no colo e chorei tentando entender o que estava
acontecendo naquela casa. Sabia que poderia ter alguém logo atrás de mim,
pronto para me dar uma facada certeira, mas nem me importei. Depois de muito
tempo chorando com meu cachorro em meu colo, levantei-me. Olhei para a minha
roupa, todo suja de sangue. Peguei o casaco que estava vestindo e cobri Al
Capone. Minha casa ficou toda escura novamente. Agora é minha vez, pensei. Já
estava fora de mim, comecei a gritar. Gritava dizendo que quem fosse que
estivesse ali, que me matasse de uma vez. Depois de muito tempo, estava cansada
de andar e gritar e resolvi que, já que alguém estava ali para me matar, eu
queria morrer em paz. Arrastei meu cão morto para perto da escada, sentei no
último degrau e fiquei abraçada com ele. Quando me dei conta, peguei no sono.
Abri os olhos, lentamente, e vi que já era de manhã, ergui a cabeça e estava me
preparando para ficar de pé quando ouvi ao fundo “bom dia Helena” e senti algo
forte e pontudo penetrando em minha cabeça.
segunda-feira, 3 de março de 2014
Olá, com reapresentação!
Depois de quase cinco anos (uau?!) com o atualizadescz, achei valido fazer um texto de reapresentação, reapresentação porque, quando fiz o blog, dia 7 de Dezembro de 2010, fiz um texto inicial, apresentando-me e apresentando o blog, mas nesse dia eu tinha 14 anos (que?!) e ainda falava “beijitos” (quem hoje em dia fala beijitos?), por isso escrevo este para apresentar o meu “eu” de agora e reapresentar meu querido blog; entretanto, caso seja de seu interesse ler aquele textinho para lá de imaturo, o link é este aqui: http://atualizadescz.blogspot.com.br/2010/12/boa-noite-pessoal.html, fique à vontade. Primeiro, quero começar dizendo que, se ainda não reparou, o nome do blog é “atualizadescz”, reparou agora no “z” de atualizades? Pois bem, nunca foi proposital - foram erros técnicos - e, por incrível que pareça, não fui eu quem reparou nisso, um amigo meu, ano passado, veio na sala de aula e me disse: “por que o z em atualidades no nome do blog?” E eu fiquei: que z moço? E tudo estava explicado. Estava explicado o porquê de que, quando eu passava o nome do blog para alguém como “atualidadescz”, nunca o achavam. Depois disso, resolvi que não trocaria o nome, afinal, já eram quatro anos, trocar agora? Nem pensar! E acabou que eu achei legal assim; o cz é pura menção ao meu próprio nome, Carolina Zanforlin, logo, a ideia inicial era “atualidades de/por Carolina Zanforlin”. Nome explicado, quero esclarecer outras coisas. Caso não tenha reparado também, nenhum dos meus textos possuem parágrafos e isso se deve ao fato de que, um dia, fui tentar colocar e não deu certo, então comecei a deixar assim mesmo (mas coloquem parágrafos em textos manuscritos, por favor). Outra coisa é que não “manjo” das edições, até hoje! Por isso algumas postagens saem diferentes umas das outras, não é culpa minha, tento arrumar do jeito que posso (e sei), mas nem sempre consigo. Esclarecido algumas curiosidades, se posso dizer assim, vou falar um pouco sobre os meus textos. Eu sempre tive um romance com português e um caso de paixão com o escrever, sempre no mais puro sentido de sempre, de verdade. Óbvio que, como qualquer pessoa normal, meus textos começaram esquisitos, ruins, imaturos e foram melhorando aos poucos, e óbvio, novamente, que, ainda hoje, cometo alguns equívocos na gramática ou até faço um texto não tão bom (não sou um Machado de Assis da vida, infelizmente), contudo, isto é o que eu amo fazer. Há algumas coisas que faço e digo que são o meu ioga, e escrever é uma delas. O blog, portanto, é meio que um filho para mim. Houve uma época em que o usei como um diário, mas arrependo-me disso, já que os textos que postava eram, na maioria das vezes, indiretas para alguém, textos péssimos, escritos na dor do momento e ruins de todos os ângulos, por isso, hoje estou deletando todos os que acho não serem adequados para o meu blog. Já escrevi também uma historinha, com seis capítulos, baseada em fatos reais, que pareceu até agradar às pessoas, mas deletei todos os seis textos, somente porque, para quem e sobre quem os escrevi, não merecia um texto meu, ainda mais uma história com seis capítulos, e nisso sou muito convencida, sem vergonha de admitir. Quando escrevo para alguém, essa pessoa tem que se sentir honrada, porque, como disse mais a cima, eu amo fazer isso, e, quando amamos alguma coisa, não o dividimos com qualquer um. Além disso, já escrevi alguns contos, como “Morte súbita” - http://atualizadescz.blogspot.com.br/2013/03/morte-subita.html, baseado em algo que aconteceu com uma colega do colégio e “O que restou de nós” - http://atualizadescz.blogspot.com.br/2012/05/oque-restou-de-nos-terra-estava-deserta.html, o nome é romântico o bastante para não ler, mas não possui nenhum casalzinho, juro. Este escrevi em meu curso de redação, cuja professora foi uma de minhas mestras. Antes que eu esqueça, não serei hipócrita o suficiente e dizer que me lembro de todos os meus textos, pois não lembro. Deve haver outros contos, porém estes dois sempre foram os meus preferidos, logo, sempre me lembro somente deles. Além dos contos, há outros textos que eu fiz e que nunca sei como classificar, na escola chamaria de “dissertações”, mas, simplesmente, não sei como classificá-los aqui (artigos de opinião, talvez?), todavia, mesmo sem uma classificação definida, isso não os torna menos importantes. Destes, eu realmente gosto de todos, mas os meus preferidos são: K.C.I.P.L.F.A.M.M. - http://atualizadescz.blogspot.com.br/2012/12/kciplfamm.html, onde eu falo sobre o ano novo; “Mais um sobre a peste?” - http://atualizadescz.blogspot.com.br/2012/09/mais-um-sobre-peste.html, em que dou minha opinião sobre a política e, por último, o meu mais recente texto, “Simplex, quae in vita” - http://atualizadescz.blogspot.com.br/2014/02/simplex-quae-in-vita.html, onde falo sobre algumas coisas que mudariam um pouco a forma violenta de como vivemos hoje. Também há textos como “Julgar-te-ão” e “Uma dose de coca-cola e bolachas, por favor!”, que também são do meu agrado. Falado dos textos, por último, quero falar um pouco sobre mim. Quando comecei com o blog queria ser médica (confesso que pelo dinheiro), mas percebi que não conseguiria nem sequer acompanhar a faculdade, já que tenho dó até quando vejo uma criança tomar injeção, essas coisas. Hoje, curso meu primeiro ano de direito e acho que não poderia amar mais. Já tenho 17 anos, logo farei 18, mas pelo menos já saberei como me defender se eu quiser fazer algo de errado nessa idade do pecado – brincadeira. Considero que 2013 foi meu ano menos produtivo aqui no blog, a explicação é bem simples: 2013 foi “dose!”. Estava cursando o terceiro colegial e aconteceram tantas coisas, tive tantas coisas para fazer, pensar, que nem sei como sobrevivi – brincadeira de novo. Nesse ano, tive que escrever textos e mais textos no colégio e no meu curso, por conta dos vestibulares, do ENEM, etc., mas mesmo assim sentia falta de escrever aqui, no meu espaço, sem tempo cronometrado e um assunto já imposto. Por fim, acho que devo agradecer a quem já comentou ou ao menos leu alguns dos meus textos. Agradeço por tudo e mais um pouco. Confesso que meu blog não possui milhares de visualizações por dia, que é algo que eu já almejei e almejo até hoje, não pela fama (e mesmo assim não sei se fama é a palavra certa), mas sim porque, como já disse, é o que eu amo fazer, e fico lisonjeada, feliz, orgulhosa e várias outras emoções quando alguém diz que gostou do texto, emocionou-se, ou até deixou uma critica construtiva para mim, porque, acho que como qualquer outro que goste de escrever, escrevo pelo prazer, o bel-prazer e o prazer de escrever sabendo que minhas palavras chegaram e tocaram alguém.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Simplex, quae in vita
Há
alguns dias estava no ônibus, indo para a faculdade, e me deparei pensando em algumas
coisas, as coisas mais simples da vida. Quem anda de ônibus, por exemplo, sabe
que, na maioria das vezes, são os mesmos cobradores, os mesmos motoristas, os
mesmos trabalhadores, os mesmos estudantes e, com o passar do tempo, você
percebe que cria laços com todas essas pessoas. Depois de duas semanas de aula
me vi amiga do cobrador do ônibus, que, todos os dias, no mesmo horário, estava
lá para me atender, um velhinho simpático, que certa vez, vendo-me segurar os
quilos do meu Vade Mecum (estudantes de direito entenderão), quase desequilibrando,
ofereceu ajuda e ainda brincou que era coisa demais para colocar na cabeça (e
realmente acho que morrerei sem saber todas as leis e artigos existentes). Mas
a verdade é, que nesse dia indo para a faculdade, por mais mórbido que seja,
pensei em como ficaria quando o senhor não estivesse mais lá, todas as manhãs,
no mesmo horário, para me atender, e talvez eu vá até mesmo antes dele – nunca
se sabe o dia de amanhã, isso é fato – entretanto, percebi que realmente
ficaria triste, triste em saber que não veria mais o tal velhinho que até hoje
não perguntei o nome. Por trás disso, pensei na falta de cumplicidade existente
hoje, no mesmo ambiente público do ônibus, vejo pessoas que entram com a cara
amarrada e saem do mesmo modo (nada contra os dias ruins dos outros, todos
possuem estes, todavia, isso, constantemente, não é saudável). Precisa-se de mais “amor gratuito” e menos
“ódio gratuito”. Amor e ódio são palavras fortemente antagônicas e fortes por
si só, mas é a realidade. Hoje se espalha tanto o ódio gratuito pelos outros,
pelas coisas, pela vida, por tudo, mas, dificilmente, (em comparação a todo esse
ódio) vê-se as pessoas espalhando um pouco de amor, amor por desconhecidos, por
qualquer um na rua e, obviamente, para os mais próximos também. Não custará
nada dar um bom dia, agradecer mais aos serviços que são prestados, dar um
sorriso singelo a um estranho na rua, e, na verdade, nós nem sabemos o poder
que isso pode ter na vida de alguém. Voltando a história do tal velhinho
cobrador do ônibus, nós nunca sabemos – e nunca saberemos – quanto tempo nós
temos ou quanto tempo teremos com quem conhecemos, ou com qualquer outra pessoa
e nunca é tarde para, simplesmente, sair espalhando um pouco de amor por aí. Se
treinássemos isso como treinamos para sermos cada vez mais desconfiados,
individualistas e rabugentos, não teríamos tanta tragédia estampada no mundo.
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