Pesquise aqui!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Tudo de bom para você.

Comprei um livro, “Faça amor, não faça jogo”, e resolvi roubar a ideia do autor. Deixarei duas músicas para vocês ouvirem enquanto leem o texto.



Realmente não imaginei que faria um texto deste tipo. Na verdade, até pouco tempo atrás, achava isto uma bela idiotice. Mas, cá estou. Com certeza não é muito gente que se importa - sejamos sinceros - só que hoje, resolvi que queria, além de fazer um texto desejando feliz ano novo, parar e pensar em tudo que aconteceu para mim em 2014, e aproveitar para falar o que quero que aconteça em 2015 (com o pezinho no chão, porque ás vezes me esqueço desse detalhe). O primeiro grande feito deste ano foi eu ter passado na faculdade, com toda certeza. Só quem chega ao terceiro ano do ensino médio, e realmente leva isso a sério, sabe de toda pressão que é (e, no meu caso, meu desespero só de pensar que talvez eu tivesse que enfrentar física e química por mais um ano). Quando minha mãe me acordou dizendo que eu havia passado, a primeira coisa que eu pensei foi: ela viu errado. Mas então, lá estava meu nome na lista de convocados para a primeira chamada, e olha, esse é outro caso que só quem passa sabe qual é a sensação. Sinto-me orgulhosa, portanto, e agradecida por todos que me ajudaram nisso e que sinceramente ficaram felizes por mim. Depois disso, provavelmente o grande feito do ano foi eu não ter sido tão antissocial na faculdade (pelo menos na primeira semana de aula). Pode não parecer, mas eu realmente morro de preguiça de ter que seguir essas milhares de convenções sociais. Contudo, na minha primeira manhã como universitária, pensei: “pelo menos no começo... Vão ser 5 anos com essa turma, faça amizades”. Acaba que, no final, fiz somente uma grande amiga, o que não me importa nem um pouco. Foi uma só, que compensou mais que os outros coleguinhas que fiz por lá (clichê, porém verdade). Depois disso, perdi-me na minha ordem cronológica. Logo, lá vai alguns outros feitos sem ordem nenhuma: fui bem em Civil, apaixonei-me por TGP, comprei meu primeiro Vade Mecum, tive minha primeira aula de Latim e fui ao meu primeiro júri. Comecei a morar em outra cidade: longe dos meus pais, longe dos meus bichanos, e consegui me adaptar mais fácil do que eu imaginava. Descobri que amo ir ao cinema sozinha. Descobri que amo aprender línguas novas e que, pelo menos, quero morrer falando fluentemente Inglês, Espanhol, Alemão, Italiano e Francês. Descobri, também, que sou mais enjoada com português do que imaginava (mas aprendi a me controlar e não sair corrigindo os outros por aí), mas que sou mais enjoada do que eu pensava com um monte de coisas (que também estou tentando melhorar, juro). Que eu amo filmes de ação e super heróis mais que tudo. E que, agora, eu sei como é o sentimento de ver uma história acabar, sem poder fazer nada (já sinto sua falta Hobbit e Senhor dos Anéis). E não posso esquecer que descobri que sou consumista (desculpa). Além desses, provavelmente o outro grande feito deste ano foi eu ter completado 18 anos. Imaginava que iria fazer mais diferença, mas como brinquei com uma amiga minha, pelo menos agora eu pude ver Partition da Beyoncé sem ser barrada no Youtube. Só que, para quem me conhece bem, levo bem a sério esse “lance” de fazer aniversário, e sou eternamente grata por quem participou disso comigo. Pelos meus amigos que foram comigo na primeira baladinha que eu gostei, e pelos mesmos que não beberam porque eu pedi. Provavelmente quase ninguém vai entender essa última parte ou vai achar que isso foi coisa pouca, entretanto, isso foi mais importante do que eles mesmos imaginam. Obrigada, de coração, my dear friends. Resumindo, 2014 foi melhor do que eu esperava. Senti necessidade de parar e rever tudo, para ver que aconteceram muito mais coisas boas do que ruins (na verdade, não aconteceu quase nada de ruim). Obrigada a você que participou de alguma forma disso, desse bolo todo. Obrigada a você que jogou mil verdades em cima de mim e a você que só falou coisas bonitinhas para agradar. Obrigada a você que me ensinou que eu sou, literalmente, responsável por aquilo que cativo e que, ás vezes, você se torna impotente e não pode querer resolver tudo. Que ás vezes, o melhor a se fazer é não pensar, não questionar, não imaginar, apenas respirar e acreditar que tudo o que acontece é para algo melhor. Obrigada a você, que me fez amadurecer mais um pouco este ano. Agora, em 2015, não desejo nada demais: somente 1 milhão de reais (ou mais). Brincadeira (se bem que não seria ruim), mas desejo mesmo é ler mais, começar a estudar outra língua além do Inglês, e estudar mais, no geral. Fazer mais amigos e ser um pouquinho menos grossa e chata (ás vezes só). Continuar na academia. Escrever mais, viajar mais; curtir mais. Não me preocupar tanto com os problemas dos outros, e não me preocupar tanto com os outros. Não me importar tanto com o que os outros pensam, e deixar de me importar de vez com número de seguidores em Instagram, número de curtidas em Facebook e qualquer coisa do gênero. Argumentar mais ao invés de apelar. E deixar pra discutir com gente que realmente importa, sobre coisas que realmente importam. Não remoer tanto o passado e começar a viver mais no presente. Parar de procrastinar tanto e começar a sair mais de casa (descobri que tem um lugar lindo aqui perto: praça, conhecem? Ótimo para ir e ficar sentada sem fazer nada.). Quero economizar mais também. Cantar sem sentir vergonha (porque sim, ou meus amigos mentem para mim, mas eu canto até que direitinho) e participar dos debates da sala sem sentir vergonha também. Ser mais ativa na faculdade, no geral. Provavelmente quero mais coisas que esqueci, já que este texto está completamente sem roteiro; coloquei a playlisy “Intense studying” no Spotify, abri o Word e comecei. Mas voltando, o que eu mais quero mesmo, é me importar com quem se importa comigo, importar-me com coisas que realmente valham a pena e pensar duas vezes antes de falar qualquer coisa para alguém, porque sei o quão desagradável isso pode ser. Por fim, quero desejar a todos, como já diz o título do texto, tudo de bom, e agora mudarei da terceira pessoa do plural, para a terceira pessoa do singular, porque quero falar diretamente com você que ainda está aqui lendo meu texto. Que você seja mais feliz do que realmente espera. Não imagine tanto e faça mais. Não tenha medo de conhecer pessoas novas e nem de encarar algo de errado que já fez, se for necessário. Assuma seus erros e se perdoe. Ame-se. Deixe-se viver. Se você mesmo não se permitir, ninguém fará isso por você. Repense seus conceitos; repense tudo o que você fez este ano e guarde aquilo que te fez bem, o que te fez mal, jogue fora. Não tenha medo de se despedir, ou então de dar um tempo, ou então de falar tudo o que você quiser para alguém que te chateou ou te fez mal neste ano. Fale, mas seja consciente. Na verdade, seja consciente em tudo o que você fizer. Cresça. Ergua a cabeça. Se quiser chorar, chore. DEIXE-SE VIVER. Não tenha medo. Não tenha medo de sentir, não tenha medo de ser feliz, não tenha medo de questionar, não tenha medo de desconfiar, não tenha medo de perdoar, não tenha medo de errar, não tenha medo de aprender; não tenha medo de enxergar o que você, no fundo, já sabe. Dê chances para quem você achar que valha a pena. Escute o que seu instinto, o que seu coração, seja o que for, esteja dizendo para você. DEIXE-SE VIVER. Ano novo é algo tão representativo... Existem tantos diferentes anos novos ao redor do mundo... Alguns comemoram horas antes de você, e alguns horas depois de você, o que só deixa mais claro ainda que o que realmente vai fazer o seu ano ser “novo”... É você. Deixe-se viver, consciente, feliz. Só se deixe viver. Em 2015, em 2016, para sempre. Deixe-se viver com seus amigos, com sua família. Não se esqueça deles. Deixe-se viver. Feliz 2015.


Up – Olly Murs ft. Demi Lovato



“I never meant to break your heart (...) I never meant to make you cry (...)”

domingo, 7 de dezembro de 2014

Contrato natural

Comentário dos textos “Contrato natural”; “A Terra sujeito de dignidade e de direitos” ambos de Leonardo Boff, que fiz para aula de filosofia e ética na faculdade.

Vivemos uma crise resultante de anos de descuido e descaso com a Terra. Por muito tempo, ignoramos (ou desconhecíamos) o fato de que nossa relação com o planeta é mútua, e não unilateral, onde a Terra nos “serviria” e nós consumiríamos, infinitamente. Isso tem relação com o texto “Contrato natural” de Leonardo Boff; neste texto, ele mostra como ignoramos o contrato natural com o planeta, fazendo valer -somente- nosso contrato social, que serve para formular nossas normas e propósitos em comum, para conduzir nossa vida em sociedade. Michel Serres, em sua obra “O contrato natural”, analisa a maneira como se construíram os parâmetros da ciência e do direito, os contratos instituídos na regulação das relações sociais: o contrato social, o direito natural e a declaração dos direitos do homem, todos eles ignorando a natureza. Para Serres, o peso da humanidade sobre o planeta torna necessário um novo pacto, agora assinado com o mundo: o contrato natural, ele seria –portanto- o que nos instruiria na relação “Terra-homem”, que reconheceria a natureza como portadora de direitos, como todos nós somos. Nossa relação com a natureza não deveria ser de servidão da parte dela, mas sim de abdicação por parte do homem, pois, com as palavras de Leonardo Boff “ou restabelecemos a reciprocidade entre a natureza e o ser humano e rearticulamos o contrato social com o natural, ou então aceitamos o risco de sermos expulsos e eliminados de Gaia”. Além de precisarmos entender a necessidade da criação desse contrato natural, precisamos entender que a Terra é viva, assim como nós, e – por isso- também precisa de dignidade e de direitos, como já foi citado. Isso, podemos confirmas também em um texto de Leonardo Boff: “A Terra sujeito de dignidade e de direitos”, onde ele cita que, por obra dos astronautas, do lado de fora, Terra e humanidade fundam uma única entidade que não pode ser separada; logo, se elas são uma só unidade indivisível, “podemos dizer que a Terra participa da dignidade e dos direitos dos seres humanos”. Por fim, a conclusão que podemos tirar é que, se quisermos continuar com o planeta que hoje chamamos de “nosso”, precisaremos cuidá-lo e preservá-lo; amá-lo, não porque ele pode fazer com que nossas infinitas necessidades sejam satisfeitas (até porque os recursos dela não são infinitos), mas amá-lo como nossa casa, o que – de uma forma ou outra- acaba sendo.

domingo, 17 de agosto de 2014

Really Don't Care – Demi lovato ft. Cher Lloyd



“But even if the stars and moon colide
I never want you back into my life
You can take your words and all your lies
I really don't care!”

sábado, 7 de junho de 2014

Preconceito

Confesso que, ao receber a proposta para escrever um texto sobre preconceito, fiquei desnorteado. Trata-se de um tema que é tão integrado a minha vida, seja como pessoa, em um todo, ou seja, como um estudante, apenas na esfera acadêmica, que fica difícil dissertar plenamente sobre. E, também, porque o preconceito é apenas um ponto de uma questão que se desdobra em várias outras facetas. Proponho que façamos, juntos, uma análise geral e básica do problema, para que possamos compreender de onde ele vem, em que se apoia e a que fim serve. Contudo, para tanto é preciso que estabeleçamos um ponto de partida. E este é: O preconceito nasce, justamente, na ignorância e, sustentado nela, desenvolve-se. O preconceito não tem fundamento: é raso. Não tem argumentos que o sustentem. Por isso, aqueles que tentam defendê-lo dizendo "É a minha opinião" erram. Opinião tem base, é sustentada e se molda sobre bons argumentos. Opinião é conceito. Logo, preconceito é, justamente, uma pré-opinião. É importante, também, compreender que este se trata de uma ideia. O preconceito é a noção que subsidia a discriminação. Porém, os dois não se confundem. A ação discriminatória, que, de alguma forma, segrega e aparta, forma-se sobre a égide do pensamento preconceituoso, concretizando-o. Algumas formas de discriminação se sustentam por circunstâncias históricas e, dessa maneira, se infiltram na cultura de um povo. E, por mais que sejam "escondidas", demonstram suas consequências por todos os lados. Exemplo claro disso é o racismo. Sutilizado no Brasil, mas que é legítimo e evidente, não só em instituições específicas, como a polícia militar, que pratica um verdadeiro genocídio do povo preto e pobre, como também em outros âmbitos: mercado de trabalho, educação, e, até mesmo, na configuração da própria cidade, visto que os negros, marginalizados desde quando chegaram ao Brasil, são jogados para as regiões periféricas, enquanto os brancos dominam os bairros nobres. Agora, tendo entendido o que é o preconceito e o que é a discriminação, podemos entender o que ambos fazem: Oprimem, pois jogam à margem, calam e agridem. Levam os oprimidos a empregos precários. Reservam-lhes uma educação péssima, que nada mais serve a não ser para praticar a manutenção de seu estado. Logo, a opressão é, por assim dizer, a consequência da discriminação que é, por sua vez, a materialização da ideia preconceituosa. Entendemos, portanto, que o ponto mais importante, em se tratando de tal questão, é justamente a opressão! E esta será a palavra chave daqui por diante. As formas de opressão não se manifestam, apenas, na violência ostensiva. Na verdade, em sua constante busca pela naturalização, que, por consequência, leva ao seu não questionamento e, por fim, perpetuação; as mesmas também se manifestam nos pressupostos que sustentam as ações mais corriqueiras que possamos imaginar. Para ficar mais claro, cabe aqui um exemplo: Quando um garoto, num jogo de futebol, dirige-se ao outro como "Viado", após o segundo ter cometido um erro, é provável que este não tinha a intenção de ser homofóbico ou de apoiar um sistema que mata um LGBT* a cada 28 horas no Brasil. Contanto, o pressuposto que sustenta a sua ação serve, exatamente, a este interesse. Como? Vamos analisar: A palavra "Viado" vem ligada a orientação sexual homossexual. E vem, no caso, como consequência de um ato negativo, logo como uma forma de repreensão. Como algo que possa ser usado para agredir. O garoto que foi repreendido, por sua vez, fica irritado, justamente por ter sido chamado de "Viado". Então notamos que ele também acolhe a noção homofóbica, por acreditar, mesmo que inconscientemente, que ser homossexual diminui alguém em sua dignidade e, portanto, julga que ser chamado de qualquer coisa que seja relacionada à noção de ser homossexual, é uma ofensa grave. Porém, caso alguém tente explicar como os pressupostos de ódio se escondem nas mais simples ações, a resposta que terá vai ser "Não, é apenas a emoção dos jogos, não há mal nisso". E é justamente aí que mora o perigo. O preconceito, a discriminação, a opressão e, enfim, o ódio, manifestam-se em TODOS os âmbitos da sociedade. E em todos os lugares tem a mesma função. Não há um lugar em que é menos ou mais grave. Encarar que, em determinadas situações, a opressão é tolerável permite que as pessoas sintam-se confortáveis para demonstrar todo o ódio que sentem, mas reprimem nas relações sociais, sem fazer nada para modificá-lo. Todos os ódios são ódios. Todos eles merecem ser combatidos e não entendidos como naturais em algum contexto, pois - em todos os contextos - tratam do mesmo discurso que fundamenta as centenas de mortes: o discurso preconceituoso. Outro fato sobre as falas preconceituosas e discriminatórias é que, aqueles que as reproduzem, tendem a, frequentemente, defendê-las sob a desculpa da Liberdade de expressão. Quando lhe disserem isso, não se preocupe. Trata-se de uma mentira gigantesca. Liberdade de expressão e discurso de ódio não se confundem. A primeira não protege a segunda. Na verdade, esta começa justamente quando aquela acaba. A partir do momento em que alguém faz uso de sua liberdade para diminuir alguém em algum aspecto, tentando atingir-lhe a dignidade, ela perde sua legitimidade e é desconsiderada. Portanto, não. A liberdade de expressão não está a serviço da opressão. Além dos problemas supracitados, existe um que é talvez ainda mais grave: a reprodução do discurso opressor pelos próprios oprimidos. Gays que dizem que afeminados são os culpados pela homofobia. Negros que se posicionam contra políticas raciais. Mulheres que são contra a autonomia de suas irmãs de luta sobre seus próprios corpos, e assim por diante. Trata-se de um meio de legitimar a dominação aos grupos minoritários, fazendo com que eles mesmos se coloquem como oprimidos, não resistindo, e, portanto, facilitando o processo que os marginaliza. Para os que se interessam pelas teorias econômicas, recomendo que reflitam e pesquisem sobre como o sistema capitalista se utiliza dos grupos socialmente marginalizados para compor as classes mais baixas, que vão possibilitar a sua existência, e como ele contribui para que essa desigualdade seja mantida. Apesar de querer, eu não entrarei nesse mérito. Até porque já estaria saindo demais do tema que me foi proposto, mas é interessantíssimo o assunto. Bem, acho que isso é o suficiente para que seja desenvolvida uma visão crítica sobre o preconceito, discriminação e opressão. Espero que tenham gostado e espero que, no futuro, quando eu souber mais do que sei agora, eu possa lhes contar mais um pouco. Enquanto isso, peço que não se calem! Rebatam quando ouvirem um discurso de preconceito sendo reproduzido. A única forma de destruí-los é, justamente, desconstruindo-os.

"Nossos lábios são fundamentais contra os fundamentalismos".

                             Caio Prata
Imagine - John Lennon (Por Lady Gaga)

quarta-feira, 4 de junho de 2014

#FDFNALUTA

Foram, em média, 15 anos dedicados a um fim: passar no vestibular. Muitos pensam que a escolha de uma faculdade começa somente no ensino médio, mas não pensam na pressão que sempre existe em volta, tanto dos familiares, tanto dos amigos, tanto até da mídia. Tal faculdade é isso, tal faculdade é aquilo. E, quando você se dá conta, quer entrar na USP porque a USP sim é a faculdade. Nunca sofri com isso, sempre tive na cabeça que o que queria era uma faculdade boa, que me daria um bom curso e que iria fazer de mim uma ótima profissional. Só escolhi o curso de Direito no terceiro colegial e, quando decidi isso, uma das primeiras faculdades que me falaram foi a FDF. FDF? Mas nunca vi essa tal de FDF na televisão, nunca ouvi falar dela. Será que é boa mesmo? Será que meus 15 anos de estudos serão compensados para sofrer com o vestibular dessa tal FDF? Tentei e passei, de primeira. Imagine a emoção. Era o que eu queria, na faculdade que eu escolhi. Quando disse para família “Passei na FDF!” todos exaltaram mais uma vez o quão boa era a faculdade, faculdade esta com mais de 50 anos de tradição, altos índices de aprovação na OAB entre outras mil e uma qualidades. Primeiro, segundo, terceiro dia de aula. Comecei a ver problemas: do professor carrasco até ao professor que - sinceramente - não tem mais condições para dar aula. Pensei que era normal, afinal, na escola, fazem uma imagem da faculdade como um bicho de sete cabeças pronto a qualquer momento para te jogar para baixo (e digo aqui a vocês, que ainda entrarão na faculdade, que não é tão ruim e impossível como os professores insistem em nos dizer no colégio... Não por enquanto). Mas ai, um belo dia, entrou em discussão: e a Copa?! Descobrimos que teríamos provas na Copa. Não entrarei no mérito se a Copa deveria ou não acorrer no Brasil, porque o ponto do texto não é este, o fato é que, fizemos uma votação e, na época, muitos alunos queria a passagem das provas para Agosto. A direção nem se importou. A partir daí reparei que havia alguma coisa errada. Como os alunos não conseguem sequer valer pelo seu direito de decisão? A faculdade é movida por nós e não temos o direito de decidir quando faremos nossas provas. Só que nós temos esse direito, não porque todo mês temos que pagar nossa mensalidade, mas porque - em 2012 - foi feita a “Lei Geral da Copa” que dava obrigação às Instituições de ensino de ajustarem seus calendários acadêmicos com o evento esportivo. Dois anos para nossa direção dar um jeito nisso. Nosso diretor – simplesmente - disse que a Lei era inconstitucional e facultativa. Isso fez com que uma chama acendesse em nós, alunos, pagantes. Eu tinha cinco meses de aula, era impossível para mim saber dos problemas que minha tradicionalíssima faculdade enfrentava, entretanto, em Assembleia Geral Extraordinária, convocada por nosso D.A., vi que esse era somente o começo do fundo do poço. Posso elencar vários problemas aqui: falta de acessibilidade, falta de paridade no Congresso, falta de atualização da biblioteca, falta de prestação de contas, falta de uma grade curricular mais adequada, falta... Falta de um ensino que seja tão excelente quanto fazem questão de exaltar. Meros boatos. Não são só esses os problemas de minha faculdade, há muitos outros. Inclusive a falta de respeito com nós, alunos. Quero saber o direito que um diretor, ou qualquer outro que trabalhe lá, acha que tem para passar por cima de nossas decisões. Direito para que e para quem? Amo essa frase, afinal, em uma faculdade de Direito o próprio direito não é respeitado. Com certeza há alguma coisa errada. Faço esse texto para mostrar minha indignação. Não me arrependo de ter escolhido o Brejo (apelido carinhosamente dado a FDF), todavia, arrepender-me-ia se não desse minha opinião e não escancarasse o tamanho dos problemas que a Faculdade de Direito de Franca enfrenta. Como uma autarquia municipal, acho que não seria mais do que justo se a Prefeitura desta cidade nos apoiasse, afinal, como disse um caro colega em outra Assembleia feita hoje, dia 4 de Junho de 2014, estamos sozinhos nessa. Por isso, caros brejeiros, espero que toda essa chama não se apague. Estou no primeiro ano, quero melhorias não só para meus próximos quatro anos e meio, mas para os bixos que ano que vem e nós próximos estarão aqui. Esta é nossa faculdade, nós a sustentamos. Não deixem a ânsia por melhoras acabar. Não deixe que a voz autoritária, manipuladora e nada democrática de nossos “comandantes” nos desanimem. Temos que estar unidos, somos um só por nossa querida FDF (e vale ressaltar aqui que brigas internas de nada apoiarão nosso movimento). A Faculdade de Direito de Franca conta com a participação dos estudantes de agora, dos que irão se tornar brejeiros um dia e até dos que já se formaram, porque sei que estes estão sentido orgulho do que estamos fazendo, haja vista que nunca houve, na história da FDF, tamanha mobilização como esta. Por tudo isso, somente encerro com um: AVANTE BREJO! Faça valer o renome que você tem por de trás de seus muros.

 Alunos da FDF em protesto na Prefeitura Municipal de Franca.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Homenagem

Nesta última segunda-feira, dia 12/05/2014, minha avó foi homenageada como a mãe do ano em minha cidade, e eu fui escolhida para fazer a homenagem em nome dos meus primos. Gostei de como ficou e decidi postar o texto aqui no blog.

Quero começar cantando o verso de uma música “Eu tenho tanto para lhe falar, mas com palavras não sei dizer, como é grande o meu amor por você...”, lembrei-me dessa música, pois, quando fui escrever sua homenagem, percebi que havia tanto o que eu poderia dizer que não daria para uma homenagem de poucos minutos. Por isso, decidi falar de algo tão geral e ao mesmo tão particular, não só de nossa família, mas de todas as outras: os almoços de domingo. É engraçado, porque costumamos dizer que domingo é O dia; domingo é o dia que tudo acontece, sejam coisas boas ou ruins e, depois de um tempo, antes de sair de casa eu só penso: “O que será que tem pra hoje?”. Eu tenho algumas recordações: a casa tão cheia que ocupamos umas 3 mesas para o almoço ou das briguinhas que meus primos tinham quando eram crianças. O tempo foi passando e algumas coisas aconteceram, coisas que foram e são, talvez, inevitáveis e irreversíveis, coisas que ás vezes a chateiam e que, até para mim, eram difíceis de aceitar. Diante disso, hoje podemos não ocupar nossas 3 mesas em nossos famosos e esperados almoços de domingo, pela distância ou qualquer outro motivo e, mesmo assim, enquanto pensava sobre o que seria sua homenagem, percebi que, mesmo por qualquer razão, quando se trata da senhora, a família toda faz questão de se reunir. A homenagem que quero tirar de tudo isso é: mesmo que, ás vezes, você não consiga perceber, a senhora é o imã que une nossa família, é a senhora que faz com que nossa família continue sendo uma família de verdade, sem nenhum “porém”, acima de qualquer coisa. Essa homenagem, além de ser para a senhora, é para mostrar a todos que, independente de qualquer coisa, sempre seremos uma família. Hoje pode não ser um almoço de domingo, mas sim um jantar de segunda e, mesmo assim, digo com toda a certeza que, tanto minha vó quanto eu, ficamos imensamente felizes de ver todos nós reunidos, mais uma vez.

sábado, 3 de maio de 2014

Um texto idiota (ou não)

Já parou para pensar que enquanto você lê este texto sua vida toda está mudando? Por que tudo hoje em dia é tão rápido? Estranho isso. Já tive medo de dormir pensando que ia acordar no outro dia com algo completamente diferente, e, ás vezes, isso acontecia mesmo. É engraçado - e assustador - ver que, em 24 horas, ou menos, algo importante - ou não - tenha mudado. Mudou e você nem percebeu. Santa tecnologia. Em menos de 24 horas você perdeu um amigo, não no sentido literal da coisa, mas sim no sentido que o Whatsapp ou chat do Facebook te possibilitou, todavia “perder” no sentido de que, por algo idiota ou não, em questão de minutos vocês se odeiam. Aliás, resolvi escrever esse texto por isso, aliás, também, nem sei como comecei a escrever isso, e talvez essa seja a parte boa da tecnologia, eu, simplesmente, estava no Facebook, olhei uma foto, recordei momentos, abri o Word e comecei a escrever; prático, rápido. Entretanto, tecnologia não é o ponto deste texto. Eu mesma não aguento mais ler ou escrever sobre “Os prós e contras da tecnologia atualmente”, todo mundo está cansado de saber disso, mas não tinha parado para pensar como tudo ao meu redor transforma-se tão rápido. Voltando ao meu amigo (e darei este exemplo já que, aparentemente, foi o motivo pelo qual este texto "nasceu"), não lembro ao certo o dia, mas sei que em questão de horas nós passamos de “bffd’s” que dividem uma faculdade para pessoas que se odeiam... Que se odeiam, será? Será ou não isso é realmente muito engraçado. Engraçado como as relações hoje em dia são tão frágeis. Frágeis como porcelanas. Finas, tênues. E o mais assustador é que não havia percebido isso até começar a escrever esse texto e sabem o por quê? Porque abominava toda essa “clichezação” dos relacionamentos de hoje – e não nos limitemos somente aos amorosos – e agora, por conta de uma sessão de cinema, aparentemente, eu e meu amigo nos “odiamos”. Talvez no passado realmente fosse melhor, fosse mais gostoso, se posso dizer assim. No passado não tínhamos tanto tempo para pensar em coisas que o outro pudesse fazer para nos irritar, e hoje passamos tanto tempo conectados uns aos outros que qualquer coisa nos irrita, nos faz brigar, nos faz perder a cabeça. Não estou dizendo, de maneira alguma, que isso seja ruim (estarmos conectados), estou dizendo que, para variar, exageramos na dose, e todos sabem que tudo em exagero faz mal. Um mundo rápido demais, clichê demais, conectado demais, frágil demais, tudo demais. Mesmo com tudo no demais, até mesmo amigos demais, conhecidos demais, até mesmo com tudo isso, ninguém consegue viver com esses relacionamentos frágeis, perdendo o tempo com coisas fúteis, brigando por coisas mesquinhas... E como perdemos tempo com coisas mesquinhas... Picuinhas, fofoquinhas, briguinhas, intriguinhas, ciuminhos, ofensinhas, provocaçõezinhas... Uma vidinha... Medíocre. Talvez esse texto não tenha nexo nenhum, quem, em sã consciência, resolve falar da briga idiota (ou não), que teve com o amigo também idiota (ou não), para “filosofar idiotamente” (ou não), sobre como a vida anda rápida, frágil e fútil. Talvez tenha sido mais um desabafo ou talvez alguém realmente leia este texto e repense no tempo que está perdendo fazendo tudo com “inha” na própria vida.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Presságio, por Al Capone

Fome e cansaço me resumiam. Minha dona não entendia que eu estava velho demais para ficar correndo. Ela ainda achava que eu era o mesmo cão de uns cinco anos atrás, mas não era. Chegamos à esquina de nossa rua, avistei nossa casa e quis sair correndo para chegar logo - na verdade - sempre faço isso, todavia, meu instinto dizia que hoje não deveria deixar Helena sozinha, nem por um minuto. Chegamos e, não sei por que, mas hoje ela demorou mais que o normal para abrir a porta e senti seu susto quando a rua toda se apagou. Finalmente entramos, enquanto esperava minha dona se ajeitar, estirei-me no tapete da sala e, depois, fui dar uma volta na casa. Já estava indo comer quando ouvi um grito, logo percebi que era a voz de Helena. Saí correndo, o mais rápido que conseguia, ela estava caída no chão. Dei-lhe uma lambida, ela me olhou assustada - muito assustada - e me abraçou. Por mais que eu estivesse velho, Helena sabia que daria minha vida para salvá-la. Nós tínhamos uma relação muito forte e eu me sentia seguro com ela e via que ela se sentia segura comigo. Esperei ela se levantar, fui em direção ao sofá, para ver se ela entendia que eu queria que ela se sentasse. Geralmente, é minha dona quem dá “batidinhas” como que dizendo: venha, sente-se ao meu lado Al Capone! E eu sempre vou. Só que hoje, tive que fazer ao contrário, e, aparentemente, ela entendeu, pois logo se sentou e começou a usar um aparelho, que não sei bem ao certo o que é. Achei que ela já estava melhor e fui, finalmente, saciar minha fome, dessa vez iria rápido, porque tinha que voltar e ficar com Helena. Comecei a comer e ouvi-a correndo. Fui até a sala e ela não estava mais lá.  Não entendi porque ela saiu e me deixou sozinho, entretanto, achei que logo voltaria. Pensei em subir para o quarto dela, mas estava muito cansado e resolvi deitar-me no sofá da sala mesmo. Nunca conseguia dormir direito, afinal, eu era um cão de guarda, e, à noite, se um galho de árvore balançasse, eu já estava acordado checando tudo. Por isso, quando ouvi um barulho (parecia que vinha da cozinha) levantei-me e fui fazer meu serviço: checar. Lembrei que Helena ainda não havia descido e pensei que ela havia ido buscar alguma coisa para podermos ir dormir, não entendi bem. Fui devagar, sem fazer barulho, para não assustá-la. No entanto, quanto mais perto chegava, menos era o cheiro dela que eu sentia, ou então só estava ruim de faro mesmo. Percebi que estava na cozinha e senti alguém lá. Minha dona se assustou comigo, eu senti, já ia dar uma lambida, pedindo desculpa, quando vi algo vindo em minha direção e, de repente, senti alguma coisa penetrando minha pele, era pontudo, afiado, rasgou tudo dentro de mim. Soltei um ganido forte e agudo, caí no chão. Tudo começou a embaralhar. Não entendia porque ela havia feito isso comigo. Será que ficou muito brava por eu tê-la assustado? Por que Helena me feriu de tal maneira? Não entendia, não entendia. Não pensei em revidar, ela era minha dona, minha companheira, eu não tinha capacidade de avançar nela, e nem forças. Entretanto, fui forte o bastante e ouvi-la gritar meu nome. Sim, ela gritou! Não era ela! Ela gritava de longe! Ouvi-la gritar várias vezes: “Al Capone, Al Capone!”. Tive vontade de fazer como fiz algum tempo atrás, quando ela gritou e saí correndo para dizer “Estou aqui”, só que não conseguia, não conseguia ao menos soltar um latido, mais fraco que fosse. Quem me enfiou aquele objeto, ainda me observava. Aquele cheiro... Aquele cheiro era conhecido. Ele me pegou pelas patas e me arrastou no chão. Eu tentei, tentei fazer força... Não conseguia. Sabia que Helena estava em perigo. Quis ser mais forte e me senti um completo inútil com aquele furo na barriga que não parava de jorrar sangue.  Minha dona estava em perigo e nada poderia fazer. A tal pessoa saiu de perto de mim, mas ainda sentia alguém por ali. Vi uma luz... Fui ficando mais fraco... Minha respiração já estava parando...  Senti um calafrio alastrando-se em meu corpo... Meu coração acelerado... Entretanto, mesmo achando que já havia partido, consegui sentir o último abraço que Helena deu em mim.

domingo, 9 de março de 2014

Católicos de porcelana

Sou a favor de pessoas que só falam sobre o que sabem e, por isso, seria pura hipocrisia vir e falar sobre as diversas religiões existentes. Vou, portanto, discorrer somente sobre aquela que eu nasci, e vivo, até hoje. O catolicismo foi, por décadas, a religião predominante no mundo, mas não é segredo a ninguém que a porcentagem de cristãos tem reduzido. Penso eu que as causas disso são os vários escândalos em que a Santa Igreja se envolveu nos últimos tempos. Entretanto, seria maçante escrever todo um texto sobre algo que é de conhecimento de boa parte da população. Recordando um pouco de história, na época do Absolutismo - que corresponde aos séculos XVI/XVIII - as pessoas chegaram a comprar cargos na Igreja, pois, naquele tempo, era “status” ser, de qualquer maneira, membro do clero. Três séculos depois, o que vejo não é uma situação tão diferente. Conheci muitas pessoas que iam à missa, às procissões, aos retiros, porque achavam “bonito”. E sim, estamos em pleno século XXI. Quando eu ia a alguma celebração religiosa era mais assustador ainda: por várias vezes e um grupo de jovens se apresentava: dançavam, apresentavam-se, faziam tudo o que sabiam (e não sabiam) e eu sempre questionava o porquê daquilo tudo. Sempre me perguntei se Deus, realmente, necessitava de danças e mais danças no meio de uma missa, momento sagrado, que deveria ser uma “conexão” dos fiéis com Deus, e a resposta que cheguei é que não. Não precisava daquilo, não precisava de nada daquilo. Além disso, nas poucas vezes que fui à missa, nesses últimos meses, percebi que ela – que, como já disse, é um momento sagrado, - estava virando um “show sagrado”. Televisões, slides, tudo de última geração. E, novamente, perguntei-me se tudo aquilo era necessário e cheguei à conclusão, de novo, de que não, de que algo estava errado. Retomando sobre as pessoas, é até patético. Não vou mentir e dizer que todas às vezes que fui à missa prestava atenção em tudo, ninguém presta, reparei, todavia, que a Igreja havia se tornado um “point” para os adolescentes. Chegavam sempre juntos, conversavam e ficavam mexendo no celular todo o tempo, e, depois, saiam para jantar em algum lugar. A Igreja então se tornou um daqueles lugares em que nós, jovens, nos encontramos para fazer um “esquenta” e depois ir a alguma festa. No entanto, não falarei somente dos mais novos, pois os mais velhos, alguns deles - por mais que tentem preservar essa imagem a todo custo - também não são “santos”. Assim como em uma empresa, onde se “puxa o saco do chefe” para fins diversos, na Igreja, da cidade local, o chefe torna-se o pároco, e ai tudo é mais complexo. Envolvem-se interesses. Para que? Para ficar mais próximo de Deus? O desfecho dessa história é que percebo que o próprio ato de “ter fé” perdeu o seu valor. Hoje, é necessário, somente, mostrar que você tem fé. Várias vezes me criticaram: amigos, parentes, porque parei de frequentar a Igreja e, por várias vezes, os confrontei dizendo que não precisava ir à missa e afins para acreditar em minha fé. Nossa fé não é reforçada porque vamos à missa todos os domingos, porque queremos participar de tudo o que a Igreja oferece (isso ajuda, claro), entretanto, nossa fé é reforçada no dia a dia. Católicos de porcelana que, simplesmente, não possuem a fé que mostram - a todo custo - ter dentro de si, são católicos no adjetivo, mas não no ato de ser.
________________________________________________

Nota: o texto foi escrito baseado em minhas experiências, sou incapaz de generalizá-lo para todos os lugares. Agradeço pela compreensão. 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Presságio

“Vamos, já para dentro, rápido!” gritei para o meu cachorro. Meu desespero para entrar e me aconchegar em casa era mais que evidente, ressaltado pelo meu tom de voz mais grave e assustado como nunca esteve antes, por isso, quando chamei, Al Capone entrou em uma corrida só e logo estirou-se no tapete da sala. O céu estava nublado, sem nuvens, sem estrelas, totalmente escuro e achar as chaves de casa foi um sacrifício com a luz do poste falhando e, quando consegui achar a chave certa, a luz deu um estouro e apagou-se. Olhei ao redor, um papelão passou voando na calçada encoberta pela escuridão, o que me assustou. Nunca fui de me assustar fácil, mas estava com uma sensação ruim. Liguei a lanterna do celular, entrei em casa, acendi a luz, mandei meu cachorro entrar e tranquei a porta. Pensei que iria chover. Minha vizinhança sempre foi barulhenta, tanto é que, por vezes, briguei com eles por conta disso e, por vezes também, já me ameaçaram, pois sempre foram ignorantes o suficiente para não aceitarem um pedido simples, como: abaixem um pouco o som, essas coisas. Entretanto, hoje, um sábado à noite, estava tudo quieto, estranhei e fui até a janela ver se havia alguma luz acessa na casa ao lado, abri a cortina da sala e, de repente, vi um vulto passando. Dei um grito e cai para trás, meu cachorro veio correndo em minha direção. Ele era um rottweiler, cuidava da casa e de mim, e todos sabiam o quão bravo ele era. Comecei a chorar e resolvi que ligaria imediatamente para a polícia, tremia tanto que, ao pegar o telefone para discar, derrubei-o no chão umas três vezes, até que, finalmente, consegui, ou achei que tinha conseguido. A ligação não completava, dizia que o número da polícia havia mudado, como seria possível o número da polícia mudar? Pensei que era problema com o telefone e tentei com o celular. Acontecia a mesma coisa. Entrei em desespero, tinha se passado uns dez minutos desde que vi o vulto na janela e já estava tão neurótica que ouvi Al Capone comendo e corri para me esconder no banheiro achando que tinham conseguido invadir a minha casa. Fiquei trancada no andar de cima ligando, insistentemente, para a policia, alternava entre o celular e o telefone, mas a mensagem era sempre a mesma. Foi quando o que eu menos esperava aconteceu, minha casa toda se afogou na escuridão. Fiquei paralisada, olhava por todo o banheiro e não via um ponto de luz sequer. Novamente acendi a lanterna do celular. Havia algumas coisas do meu ex-marido no armário e achei um refil de gilette, segurei firme e pensei que somente com aquilo estaria segura, quanta inocência. Estava no mesmo lugar pensando no que faria, e quis ligar para Jorge, meu ex. Não havia mais ninguém que eu pudesse chamar, não tinha parentes e a maioria dos meus amigos estava indo viajar, já que hoje era o primeiro dia de um feriado prolongado. Todavia, depois de um tempo, cheguei à conclusão de que ligar para Jorge seria pior. Não tivemos um divorcio fácil, brigamos muito no Tribunal e ele já me disse várias vezes que, um dia, faria de tudo para tomar o que é meu e eu estava em uma situação totalmente vulnerável, não duvido nada de que ele pudesse tirar proveito disso. Então, resolvi que tinha que sair do banheiro, afinal, meu cachorro estava lá fora, sozinho, e não podia ficar o resto da madrugada escondida. Abri a porta e já estava quase descendo as escadas quando ouvi um ganido, forte e agudo. Deixei tudo cair no chão, arregalei os olhos e, instintivamente, saí correndo. Não enxergava nada, cheguei ao final da escada e comecei a andar de um lado para outro sem saber ao certo onde estava. Comecei a ficar descontrolada. Parei de andar e gritei sucessivamente “Al Capone! Al Capone!” esperando uma resposta, esperando qualquer coisa, quando, num piscar de olhos, a luz acendeu-se. Olhei assustada tudo ao redor e, quando me dei conta, olhei para o chão. Meu cachorro estava aos meus pés, morto, ensanguentado. Havia sido esfaqueado: uma só facada, na barriga. Inicialmente, pensei em como conseguiram fazer aquilo, parecia que ele nem sequer havia reagido. Fiquei em choque. Cai de joelhos no chão, peguei-o no colo e chorei tentando entender o que estava acontecendo naquela casa. Sabia que poderia ter alguém logo atrás de mim, pronto para me dar uma facada certeira, mas nem me importei. Depois de muito tempo chorando com meu cachorro em meu colo, levantei-me. Olhei para a minha roupa, todo suja de sangue. Peguei o casaco que estava vestindo e cobri Al Capone. Minha casa ficou toda escura novamente. Agora é minha vez, pensei. Já estava fora de mim, comecei a gritar. Gritava dizendo que quem fosse que estivesse ali, que me matasse de uma vez. Depois de muito tempo, estava cansada de andar e gritar e resolvi que, já que alguém estava ali para me matar, eu queria morrer em paz. Arrastei meu cão morto para perto da escada, sentei no último degrau e fiquei abraçada com ele. Quando me dei conta, peguei no sono. Abri os olhos, lentamente, e vi que já era de manhã, ergui a cabeça e estava me preparando para ficar de pé quando ouvi ao fundo “bom dia Helena” e senti algo forte e pontudo penetrando em minha cabeça.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Olá, com reapresentação!


Depois de quase cinco anos (uau?!) com o atualizadescz, achei valido fazer um texto de reapresentação, reapresentação porque, quando fiz o blog, dia 7 de Dezembro de 2010, fiz um texto inicial, apresentando-me e apresentando o blog, mas nesse dia eu tinha 14 anos (que?!) e ainda falava “beijitos” (quem hoje em dia fala beijitos?), por isso escrevo este para apresentar o meu “eu” de agora e reapresentar meu querido blog; entretanto, caso seja de seu interesse ler aquele textinho para lá de imaturo, o link é este aqui: http://atualizadescz.blogspot.com.br/2010/12/boa-noite-pessoal.html, fique à vontade. Primeiro, quero começar dizendo que, se ainda não reparou, o nome do blog é “atualizadescz”, reparou agora no “z” de atualizades? Pois bem, nunca foi proposital - foram erros técnicos - e, por incrível que pareça, não fui eu quem reparou nisso, um amigo meu, ano passado, veio na sala de aula e me disse: “por que o z em atualidades no nome do blog?” E eu fiquei: que z moço? E tudo estava explicado. Estava explicado o porquê de que, quando eu passava o nome do blog para alguém como “atualidadescz”, nunca o achavam. Depois disso, resolvi que não trocaria o nome, afinal, já eram quatro anos, trocar agora? Nem pensar! E acabou que eu achei legal assim; o cz é pura menção ao meu próprio nome, Carolina Zanforlin, logo, a ideia inicial era “atualidades de/por Carolina Zanforlin”. Nome explicado, quero esclarecer outras coisas. Caso não tenha reparado também, nenhum dos meus textos possuem parágrafos e isso se deve ao fato de que, um dia, fui tentar colocar e não deu certo, então comecei a deixar assim mesmo (mas coloquem parágrafos em textos manuscritos, por favor). Outra coisa é que não “manjo” das edições, até hoje! Por isso algumas postagens saem diferentes umas das outras, não é culpa minha, tento arrumar do jeito que posso (e sei), mas nem sempre consigo. Esclarecido algumas curiosidades, se posso dizer assim, vou falar um pouco sobre os meus textos. Eu sempre tive um romance com português e um caso de paixão com o escrever, sempre no mais puro sentido de sempre, de verdade.  Óbvio que, como qualquer pessoa normal, meus textos começaram esquisitos, ruins, imaturos e foram melhorando aos poucos, e óbvio, novamente, que, ainda hoje, cometo alguns equívocos na gramática ou até faço um texto não tão bom (não sou um Machado de Assis da vida, infelizmente), contudo, isto é o que eu amo fazer. Há algumas coisas que faço e digo que são o meu ioga, e escrever é uma delas. O blog, portanto, é meio que um filho para mim. Houve uma época em que o usei como um diário, mas arrependo-me disso, já que os textos que postava eram, na maioria das vezes, indiretas para alguém, textos péssimos, escritos na dor do momento e ruins de todos os ângulos, por isso, hoje estou deletando todos os que acho não serem adequados para o meu blog. Já escrevi também uma historinha, com seis capítulos, baseada em fatos reais, que pareceu até agradar às pessoas, mas deletei todos os seis textos, somente porque, para quem e sobre quem os escrevi, não merecia um texto meu, ainda mais uma história com seis capítulos, e nisso sou muito convencida, sem vergonha de admitir. Quando escrevo para alguém, essa pessoa tem que se sentir honrada, porque, como disse mais a cima, eu amo fazer isso, e, quando amamos alguma coisa, não o dividimos com qualquer um. Além disso, já escrevi alguns contos, como “Morte súbita” - http://atualizadescz.blogspot.com.br/2013/03/morte-subita.html, baseado em algo que aconteceu com uma colega do colégio e “O que restou de nós” - http://atualizadescz.blogspot.com.br/2012/05/oque-restou-de-nos-terra-estava-deserta.html, o nome é romântico o bastante para não ler, mas não possui nenhum casalzinho, juro. Este escrevi em meu curso de redação, cuja professora foi uma de minhas mestras. Antes que eu esqueça, não serei hipócrita o suficiente e dizer que me lembro de todos os meus textos, pois não lembro. Deve haver outros contos, porém estes dois sempre foram os meus preferidos, logo, sempre me lembro somente deles. Além dos contos, há outros textos que eu fiz e que nunca sei como classificar, na escola chamaria de “dissertações”, mas, simplesmente, não sei como classificá-los aqui (artigos de opinião, talvez?), todavia, mesmo sem uma classificação definida, isso não os torna menos importantes. Destes, eu realmente gosto de todos, mas os meus preferidos são: K.C.I.P.L.F.A.M.M. - http://atualizadescz.blogspot.com.br/2012/12/kciplfamm.html, onde eu falo sobre o ano novo; “Mais um sobre a peste?” - http://atualizadescz.blogspot.com.br/2012/09/mais-um-sobre-peste.html, em que dou minha opinião sobre a política e, por último, o meu mais recente texto, “Simplex, quae in vita” - http://atualizadescz.blogspot.com.br/2014/02/simplex-quae-in-vita.html, onde falo sobre algumas coisas que mudariam um pouco a forma violenta de como vivemos hoje. Também há textos como “Julgar-te-ão” e “Uma dose de coca-cola e bolachas, por favor!”, que também são do meu agrado. Falado dos textos, por último, quero falar um pouco sobre mim. Quando comecei com o blog queria ser médica (confesso que pelo dinheiro), mas percebi que não conseguiria nem sequer acompanhar a faculdade, já que tenho dó até quando vejo uma criança tomar injeção, essas coisas. Hoje, curso meu primeiro ano de direito e acho que não poderia amar mais. Já tenho 17 anos, logo farei 18, mas pelo menos já saberei como me defender se eu quiser fazer algo de errado nessa idade do pecado – brincadeira. Considero que 2013 foi meu ano menos produtivo aqui no blog, a explicação é bem simples: 2013 foi “dose!”. Estava cursando o terceiro colegial e aconteceram tantas coisas, tive tantas coisas para fazer, pensar, que nem sei como sobrevivi – brincadeira de novo. Nesse ano, tive que escrever textos e mais textos no colégio e no meu curso, por conta dos vestibulares, do ENEM, etc., mas mesmo assim sentia falta de escrever aqui, no meu espaço, sem tempo cronometrado e um assunto já imposto.  Por fim, acho que devo agradecer a quem já comentou ou ao menos leu alguns dos meus textos. Agradeço por tudo e mais um pouco. Confesso que meu blog não possui milhares de visualizações por dia, que é algo que eu já almejei e almejo até hoje, não pela fama (e mesmo assim não sei se fama é a palavra certa), mas sim porque, como já disse, é o que eu amo fazer, e fico lisonjeada, feliz, orgulhosa e várias outras emoções quando alguém diz que gostou do texto, emocionou-se, ou até deixou uma critica construtiva para mim, porque, acho que como qualquer outro que goste de escrever, escrevo pelo prazer, o bel-prazer e o prazer de escrever sabendo que minhas palavras chegaram e tocaram alguém.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Simplex, quae in vita

Há alguns dias estava no ônibus, indo para a faculdade, e me deparei pensando em algumas coisas, as coisas mais simples da vida. Quem anda de ônibus, por exemplo, sabe que, na maioria das vezes, são os mesmos cobradores, os mesmos motoristas, os mesmos trabalhadores, os mesmos estudantes e, com o passar do tempo, você percebe que cria laços com todas essas pessoas. Depois de duas semanas de aula me vi amiga do cobrador do ônibus, que, todos os dias, no mesmo horário, estava lá para me atender, um velhinho simpático, que certa vez, vendo-me segurar os quilos do meu Vade Mecum (estudantes de direito entenderão), quase desequilibrando, ofereceu ajuda e ainda brincou que era coisa demais para colocar na cabeça (e realmente acho que morrerei sem saber todas as leis e artigos existentes). Mas a verdade é, que nesse dia indo para a faculdade, por mais mórbido que seja, pensei em como ficaria quando o senhor não estivesse mais lá, todas as manhãs, no mesmo horário, para me atender, e talvez eu vá até mesmo antes dele – nunca se sabe o dia de amanhã, isso é fato – entretanto, percebi que realmente ficaria triste, triste em saber que não veria mais o tal velhinho que até hoje não perguntei o nome. Por trás disso, pensei na falta de cumplicidade existente hoje, no mesmo ambiente público do ônibus, vejo pessoas que entram com a cara amarrada e saem do mesmo modo (nada contra os dias ruins dos outros, todos possuem estes, todavia, isso, constantemente, não é saudável).  Precisa-se de mais “amor gratuito” e menos “ódio gratuito”. Amor e ódio são palavras fortemente antagônicas e fortes por si só, mas é a realidade. Hoje se espalha tanto o ódio gratuito pelos outros, pelas coisas, pela vida, por tudo, mas, dificilmente, (em comparação a todo esse ódio) vê-se as pessoas espalhando um pouco de amor, amor por desconhecidos, por qualquer um na rua e, obviamente, para os mais próximos também. Não custará nada dar um bom dia, agradecer mais aos serviços que são prestados, dar um sorriso singelo a um estranho na rua, e, na verdade, nós nem sabemos o poder que isso pode ter na vida de alguém. Voltando a história do tal velhinho cobrador do ônibus, nós nunca sabemos – e nunca saberemos – quanto tempo nós temos ou quanto tempo teremos com quem conhecemos, ou com qualquer outra pessoa e nunca é tarde para, simplesmente, sair espalhando um pouco de amor por aí. Se treinássemos isso como treinamos para sermos cada vez mais desconfiados, individualistas e rabugentos, não teríamos tanta tragédia estampada no mundo.
Anjos (Pra Quem Tem Fé) – O Rappa


“Podem até gritar, gritar
Podem até barulho então fazer
Ninguém vai te escutar se não tem fé
Ninguém mais vai te ver

...
Em algum lugar, pra relaxar
Eu vou pedir pros anjos cantarem por mim
Pra quem tem fé
A vida nunca tem fim
Não tem fim”