Comentário
dos textos “Contrato natural”; “A Terra sujeito de dignidade e de direitos”
ambos de Leonardo Boff, que fiz para aula de filosofia e ética na faculdade.
Vivemos uma crise resultante de anos de descuido e
descaso com a Terra. Por muito tempo, ignoramos (ou desconhecíamos) o fato de
que nossa relação com o planeta é mútua, e não unilateral, onde a Terra nos “serviria”
e nós consumiríamos, infinitamente. Isso tem relação com o texto “Contrato
natural” de Leonardo Boff; neste texto, ele mostra como ignoramos o contrato
natural com o planeta, fazendo valer -somente- nosso contrato social, que serve
para formular nossas normas e propósitos em comum, para conduzir nossa vida em
sociedade. Michel Serres, em sua obra “O contrato natural”, analisa a maneira
como se construíram os parâmetros da ciência e do direito, os contratos
instituídos na regulação das relações sociais: o contrato social, o direito
natural e a declaração dos direitos do homem, todos eles ignorando a natureza. Para
Serres, o peso da humanidade sobre o planeta torna necessário um novo pacto,
agora assinado com o mundo: o contrato natural, ele seria –portanto- o que nos
instruiria na relação “Terra-homem”, que reconheceria a natureza como portadora
de direitos, como todos nós somos. Nossa relação com a natureza não deveria ser
de servidão da parte dela, mas sim de abdicação por parte do homem, pois, com
as palavras de Leonardo Boff “ou restabelecemos a reciprocidade entre a
natureza e o ser humano e rearticulamos o contrato social com o natural, ou
então aceitamos o risco de sermos expulsos e eliminados de Gaia”. Além de
precisarmos entender a necessidade da criação desse contrato natural,
precisamos entender que a Terra é viva, assim como nós, e – por isso- também
precisa de dignidade e de direitos, como já foi citado. Isso, podemos confirmas
também em um texto de Leonardo Boff: “A Terra sujeito de dignidade e de
direitos”, onde ele cita que, por obra dos astronautas, do lado de fora, Terra
e humanidade fundam uma única entidade que não pode ser separada; logo, se elas
são uma só unidade indivisível, “podemos dizer que a Terra participa da
dignidade e dos direitos dos seres humanos”. Por fim, a conclusão que podemos
tirar é que, se quisermos continuar com o planeta que hoje chamamos de “nosso”,
precisaremos cuidá-lo e preservá-lo; amá-lo, não porque ele pode fazer com que
nossas infinitas necessidades sejam satisfeitas (até porque os recursos dela
não são infinitos), mas amá-lo como nossa casa, o que – de uma forma ou outra-
acaba sendo.
Links dos textos citados: “Contrato
natural” - http://www.diogenes.jex.com.br/cultura/contrato+natural+-+texto+de+leonardo+boff
/ “A Terra sujeito de dignidade e de direitos” - http://www.ecodebate.com.br/2010/04/22/a-terra-sujeito-de-dignidade-e-de-direitos-artigo-de-leonardo-boff/
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