Se você não me conhece e tem algum interesse em fazer amizade comigo algum dia, saiba já de antemão que eu levo aniversários muito a sério. Meus amigos já estão cansados de saber disso, todavia, o que ninguém sabe, é que eu tinha dado uma desanimada desse evento tão glorioso.
Fazendo uma retrospectiva rápida, minhas últimas comemorações tiveram uma quantidade considerável de pontos negativos, por exemplo: quando fiz 16 anos a menina que era minha bff na época mentiu que estava passando mal de calor pra não ir na minha festa (a festa, no caso, era um churrasco); quando eu fiz 18 anos, eu me cortei sem querer enquanto me arrumava pra ir na baladinha: desmaiei; atrasei; cheguei lá, ao invés dos meus miguxos comemorarem comigo, todos ficaram falando na minha cabeça como eu tinha atrasado; no de 19 anos, eu dei barraco naquela mesma baladinha, porque a organização me cobrou um preço injusto; e eu pulei o de 17 anos porque foi em uma pizzaria, não tinha como dar algo errado (tirando que o garçom derrubou um pedaço de pizza em uma das convidadas e uma outra chegou atrasada contando que comeu os chocolates que ia me dar de presente no caminho, mas sinceramente, eu só consigo rir disso até hoje).
O que eu tirei de conclusão disso tudo? Que eu não presto pra baladas e que aniversários com comida são melhores do que com bebida alcoólicas, deal with it. Só que falando sério agora, a conclusão que eu cheguei foi que temos que colocar menos expectativas nas pessoas. Você pode não enxergar como aquelas causas fizeram eu chegar nesse resultado, porém, espero que você tenha paciência para ficar aqui até o final e possa tirar suas próprias conclusões.
Esse ano eu decidi que eu queria comemorar meu aniversário, mas comemorar de verdade, queria festa com bolo pra apagar velinhas e fazer pedido; queria entregar convite; queria encher bexiga; queria comer docinho; e sim, você fez as contas certo, isso tudo pra eu fazer 20 anos. Eu decidi que queria ter uma festa porque percebi que esse meu último ano vivido realmente deveria ser comemorado: depois de muito choro, exames e uma DP, eu - finalmente - consegui ir melhor na faculdade; comecei a trabalhar na AIESEC que - de longe - foi a melhor coisa que fiz desde quando virei universitária; eu me desenvolvi interiormente de uma maneira excepcional; eu almejei meus objetivos e muitos deles eu consegui alcançar. Resumindo: minha transição de 19 pra 20 anos foi sensacional e muito gratificante.
Sendo assim, eu dei uma festa halloween e a cereja do bolo foi que eu me vesti de unicórnio (e sério, eu nunca fiquei tão feliz na vida de ter um chifre). Convidei muitas pessoas, na verdade, chegou uma hora que eu fiquei preocupada pelos meus pais, porque eu pensei que iria muita gente, contudo eu estava 100% na onda de deixar a vida me levar. A vida me levou e acabou que nem foi tanta gente assim. E agora chegamos ao escopo desse relato.
Eu fiquei preocupadíssima com quem eu iria chamar, achando que se eu não convidasse tal pessoa, ela ficaria chateada comigo, logo, rolou aquele famigerado "convite por consideração". E a parte mais tapa na cara pra mim foi que, algumas vezes, eu ia super feliz convidar a pessoa e a resposta dela não era na mesma intensidade que a minha. Ela (e aqui uso "ela" no feminino e singular porque falei pessoa ali, é só pra rolar a concordância verbal, não é indireta, juro) não estava disposta a sair do conforto de sua cidade ou da sua zona de conforto pra ir no meu aniversário, e, toda vez que eu via esse misto de indiferença/sinceridade a minha primeira reação era ficar chateada, já que pra mim a festa desse ano seria tão especial.
Quando eu me peguei remoendo esses sentimentos ruins, foi quando eu tive um insight fenomenal: você não pode impor que a outra pessoa sinta as coisas na mesma intensidade que você, porque cada um é um, e cada um sente e vive da maneira que pra ele valha a pena e seja certo e suficiente, e isso me parece tão óbvio agora e eu sei o quão óbvio pode ser pra você.
Entretanto, entender que cada pessoa vive seus sentimentos em intensidades diferentes tem sido um dos exercícios mais difíceis para mim. Por isso, percebi que a melhor forma de lidar com "problema" é, justamente, não colocar expectativas nos outros.
No final, o que importa não é se duas pessoas estão ligadas na mesma voltagem, mas sim se ali dentro tem algo de verdadeiro. Enquanto eu posso ser 220V, você pode ser 110V e o objetivo é que saibamos viver com isso sem que alguém saia queimado dessa relação.