A descrição da Mel é a seguinte: cadela misturada com labrador e salsichinha. Não ouso discordar porque primeiro: ela é grande e forte mesmo e, segundo: ela ama salsicha. Brincadeira, ela parece mesmo meio misturada das duas raças (e a parte dela amar salsicha é verídica).
Um amigo do meu pai deu a Mel para a gente. Ninguém tinha muita noção que aquela coisinha tão fofa, pequenininha, cor de mel (óbvio) iria se tornar nessa grandona meio destrambelhada. Aqui em casa a gente fala que ela cresceu só de tamanho, porque, até hoje, ela age como uma criançona. Ela é desesperada, parece morta de fome (não pode ver comida que fica louca, aliás, ela nem mastiga direito, ela engole), sai pulando em todo mundo e AMA terra, não sei quantas vezes ela já estragou a mini horta do meu pai. Diferente da Duda, ela não enterra os ossos, ela fica lá mordendo-os até acabar.
Mesmo com tudo isso, Mel nunca passou por tantas fortes emoções, a principal - e a pior - foi quando ela foi mamãe. Isso mesmo, ela já deu cria. Um dia, meu pai estava tirando o carro da garagem para me levar para o colégio, ela escapou e só precisou de alguns minutos para, dentro de algum tempo, eu virar tia novamente, mas dessa vez de cachorrinhos! Só que o grande problema foi: Mel era muita nova, foi seu primeiro cio e ela não poderia ter engravidado. Ela ficou muito mal e quase morreu. Teve que tomar vitaminas e etc, porém, todo processo foi muito difícil para ela, desde a gravidez, até a amamentação e tudo mais. Logo, eu passava muito tempo com os filhotinhos, lembro que chegou uma hora que a Mel estava meio que "deixando eles pra lá", porque estava cansada, mas eles ainda eram meio novos, então peguei todos e levei pro meu quarto, passei uns dias com todos na minha cama, dormia todo mundo junto. Depois de um tempo, tivemos que dá-los, não foi fácil, mas até alguns meses atrás, uma delas morava do lado de casa (inclusive latia igual a mãe).
Antes disso, as primeiras semanas da Mel foram difíceis. Ela pegava carrapatos muito fácil e era uma luta diária, minha, da minha mãe e dela para tirá-los. Fora isso, ela cresceu forte e saudável, tirando que em uma das patas traseiras ela tem um "dedinho" que é mole. Desde que ela era filhote meus pais falavam que podia tirar, contudo eu nunca deixei porque tinha dó, então ficou.
Bom, também tem o fato de que ela definitivamente NÃO SABE se comportar na rua. Toda vez que a gente vai sair é um dilema. Ela encrenca com todos os cachorros, pára em todos os lugares possíveis e impossíveis. Uma vez, estávamos eu, ela e Duda na praça na fonte (umas das coisas mais legais e decentes aqui da cidade), eu estava ouvindo música, nós andando tranquilamente, até que ela parou e começou a latir, pensei: "Mais um...", quando olhei para trás... Era um cachorro enorme, ele era muito grande, mas MUITO grande. A cena era a seguinte: Mel tentando atacar o cachorro, Duda com cara de paisagem sem entender nada, tinha uma espécie de bar em frente, cheio de gente, que parou para olhar e não mexeu um dedo para ajudar (típico) e eu tentando disfarçar a cara de pânico tentando resolver a situação, e ah, claro, o cachorro, que no começo não estava dando bola, mas depois começou a latir de volta. No final eu consegui arrastar a Mel de lá, e arrastar MESMO, ela usa aquelas coleiras que enforca, então eu comecei a fazer tanta força que ela sabia que se não mexesse iria acabar se machucando (e sim, tive que usar a força, porque - basicamente - não tinha mais nada que eu pudesse fazer ou eu não conseguia achar outra solução na hora). Voltamos para casa: Mel com cara de satisfeita, Duda com cara e x a u s t a, e eu, dando bronca na Mel com as pernas titubeando.
Como uma jovenzinha que se preze, Mel tem seus crushes, nenhum correspondido, porque a vida não é justa para ninguém, muito menos para os bichos. Basicamente em cada casa que ela já morou ela teve um crush e eu até a entendendo, porque ela escolhe uns pretendentes bem bonitos, robustos, que impõe respeito.
Mas a Mel assim, meio desengonçada, teimosa, briguenta, brincalhona, esfomeada, adotada, forte, mas, acima de tudo, amorosa, uma bela melhor amiguinha.