Um acervo que começou no dia 7 de dezembro de 2010 e que acompanha vários momentos da minha vida, deixando registrado a transcrição de memórias, nós na garganta, revoltas, e um mundo de fantasias.
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domingo, 31 de março de 2013
domingo, 24 de março de 2013
My Wish - Rascal Flatts
My Wish - Rascal Flatts
‘My wish for you is that
this life becomes all that you want it,
To your dreams stay big and
your worries stay small,
You never need to carry
more than you can hold.
And while you're out there
getting where you're getting to,
I hope you know somebody
loves you
And wants the same things
too,
Yeah, this is my wish.
This is my wish.’
Morte Súbita
A
gente tava junto, comendo a pizza do seu lugar preferido, jogando o papo fora,
rindo da cara um o outro, brigando antes de dormir e fazendo as pazes antes do
sono vim. Passando a madrugada olhando pra lua e rezando pra que amanhã o dia
fosse melhor. Uma batida na porta logo quando o sol nasceu e nenhuma resposta.
Duas, três, quatro batidas e o silêncio ia tomando conta. Medo, sem noção,
tensão. Abri a porta lentamente, você dormia, ou só parecia. Cheguei mais
perto, cadê o coração? Nada. Silêncio, para que fazer isso? Medo, desespero,
tensão. Procuro desesperadamente a lista telefônica, seria bom se a memória
guardasse coisas realmente úteis ao invés de músicas sem sentido. Os 5 minutos
que demorei para conseguir achar o número do hospital pareciam uma eternidade.
Os dez da demora daquela ambulância para chegar foram o fim. O fim, sim, quase
literalmente. Por quanto tempo uma pessoa sobrevive sem ar? Não era mais um de
seus mergulhos malucos contando quanto tempo você aguenta em baixo d’água, era
real, pura realidade. Adrenalina. Uma, duas, três, quatro e os médicos a
caminho do hospital com suas falas quase mecânicas e cronometradas “Carregando,
afastem-se!” e pum! Talvez aquela máquina – desfibrilador talvez – não tenha
sido muito útil hoje. Massagens, massagens, mil e uma sugestões, mas não, para
sobreviver, ou viver novamente, não são necessárias tantas “mil e uma
sugestões”. Oxigênio era só isso que se necessitava. Quinze minutos ao
hospital, o trânsito não ajudava. Lá as mesmas falas “Carregando, afastem-se!”
e nada. Minha vista embaçava, meu corpo ia ficando mole, não me aguentava mais.
Acordei com um choque, não um choque de “Carregando, afastem-se”, choque porque
estava eu lá no quarto do hospital sem nem saber o motivo. Não enxergava direito ainda, mas vi um homem
branco aproximando-se. Pegou na minha mão, perguntou se eu estava bem.
Perguntei de você e... “Sinto muito senhora, vai ficar tudo bem.” Entendi na
hora e desejei que o homem branco fosse um anjo.
sábado, 16 de março de 2013
Da influência dos espelhos
Tu lembras daqueles grandes espelhos côncavos ou
convexos que em certos estabelecimentos os proprietários colocavam à entrada
para atrair os fregueses, achatando-os, alongando-os, deformando-os nas mais
estranhas configurações?
Nós, as crianças de então, achávamos uma bruta graça, por saber que era tudo ilusão, embora talvez nem conhecêssemos o sentido da palavra “ilusão”.
Não, nós bem sabíamos que não éramos aquilo! Depois, ao crescer, descobrimos que, para os outros, não éramos precisamente isto que somos, mas aquilo que os outros vêem.
Cuidado, incauto leitor! Há casos, na vida, em que alguns acabam adaptando-se a essas imagens enganosas, despersonalizando-se num segundo “eu”. Que pode uma alma, ainda por cima invisível, contra o testemunho de milhares de espelhos?
Eis aqui um grave assunto para um conto, uma novela, um romance, ou uma tese de mestrado em Psicologia.
Nós, as crianças de então, achávamos uma bruta graça, por saber que era tudo ilusão, embora talvez nem conhecêssemos o sentido da palavra “ilusão”.
Não, nós bem sabíamos que não éramos aquilo! Depois, ao crescer, descobrimos que, para os outros, não éramos precisamente isto que somos, mas aquilo que os outros vêem.
Cuidado, incauto leitor! Há casos, na vida, em que alguns acabam adaptando-se a essas imagens enganosas, despersonalizando-se num segundo “eu”. Que pode uma alma, ainda por cima invisível, contra o testemunho de milhares de espelhos?
Eis aqui um grave assunto para um conto, uma novela, um romance, ou uma tese de mestrado em Psicologia.
Mário Quintana
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