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domingo, 24 de março de 2013

My Wish - Rascal Flatts


My Wish - Rascal Flatts

‘My wish for you is that this life becomes all that you want it,
To your dreams stay big and your worries stay small,
You never need to carry more than you can hold.
And while you're out there getting where you're getting to,
I hope you know somebody loves you
And wants the same things too,
Yeah, this is my wish.
This is my wish.’


Estamos tão acostumados a nos disfarçar para os outros, que, no fim, ficamos disfarçados para nós mesmos. - François de La Rochefoucauld

Existem alguns que só usam as palavras com o propósito de disfarçar seus pensamentos. - Voltaire

Morte Súbita

A gente tava junto, comendo a pizza do seu lugar preferido, jogando o papo fora, rindo da cara um o outro, brigando antes de dormir e fazendo as pazes antes do sono vim. Passando a madrugada olhando pra lua e rezando pra que amanhã o dia fosse melhor. Uma batida na porta logo quando o sol nasceu e nenhuma resposta. Duas, três, quatro batidas e o silêncio ia tomando conta. Medo, sem noção, tensão. Abri a porta lentamente, você dormia, ou só parecia. Cheguei mais perto, cadê o coração? Nada. Silêncio, para que fazer isso? Medo, desespero, tensão. Procuro desesperadamente a lista telefônica, seria bom se a memória guardasse coisas realmente úteis ao invés de músicas sem sentido. Os 5 minutos que demorei para conseguir achar o número do hospital pareciam uma eternidade. Os dez da demora daquela ambulância para chegar foram o fim. O fim, sim, quase literalmente. Por quanto tempo uma pessoa sobrevive sem ar? Não era mais um de seus mergulhos malucos contando quanto tempo você aguenta em baixo d’água, era real, pura realidade. Adrenalina. Uma, duas, três, quatro e os médicos a caminho do hospital com suas falas quase mecânicas e cronometradas “Carregando, afastem-se!” e pum! Talvez aquela máquina – desfibrilador talvez – não tenha sido muito útil hoje. Massagens, massagens, mil e uma sugestões, mas não, para sobreviver, ou viver novamente, não são necessárias tantas “mil e uma sugestões”. Oxigênio era só isso que se necessitava. Quinze minutos ao hospital, o trânsito não ajudava. Lá as mesmas falas “Carregando, afastem-se!” e nada. Minha vista embaçava, meu corpo ia ficando mole, não me aguentava mais. Acordei com um choque, não um choque de “Carregando, afastem-se”, choque porque estava eu lá no quarto do hospital sem nem saber o motivo.  Não enxergava direito ainda, mas vi um homem branco aproximando-se. Pegou na minha mão, perguntou se eu estava bem. Perguntei de você e... “Sinto muito senhora, vai ficar tudo bem.” Entendi na hora e desejei que o homem branco fosse um anjo.

sábado, 16 de março de 2013

Da influência dos espelhos

Tu lembras daqueles grandes espelhos côncavos ou convexos que em certos estabelecimentos os proprietários colocavam à entrada para atrair os fregueses, achatando-os, alongando-os, deformando-os nas mais estranhas configurações? 
Nós, as crianças de então, achávamos uma bruta graça, por saber que era tudo ilusão, embora talvez nem conhecêssemos o sentido da palavra “ilusão”. 
Não, nós bem sabíamos que não éramos aquilo! Depois, ao crescer, descobrimos que, para os  outros, não éramos precisamente isto que somos, mas aquilo que os outros vêem. 
Cuidado, incauto leitor! Há casos, na vida, em que  alguns acabam adaptando-se a essas imagens enganosas, despersonalizando-se num segundo “eu”. Que pode uma alma, ainda  por  cima  invisível,  contra o testemunho de milhares de espelhos? 
Eis aqui um grave assunto para um conto, uma novela, um romance, ou uma tese de mestrado em Psicologia.

Mário Quintana