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sábado, 16 de março de 2013

Da influência dos espelhos

Tu lembras daqueles grandes espelhos côncavos ou convexos que em certos estabelecimentos os proprietários colocavam à entrada para atrair os fregueses, achatando-os, alongando-os, deformando-os nas mais estranhas configurações? 
Nós, as crianças de então, achávamos uma bruta graça, por saber que era tudo ilusão, embora talvez nem conhecêssemos o sentido da palavra “ilusão”. 
Não, nós bem sabíamos que não éramos aquilo! Depois, ao crescer, descobrimos que, para os  outros, não éramos precisamente isto que somos, mas aquilo que os outros vêem. 
Cuidado, incauto leitor! Há casos, na vida, em que  alguns acabam adaptando-se a essas imagens enganosas, despersonalizando-se num segundo “eu”. Que pode uma alma, ainda  por  cima  invisível,  contra o testemunho de milhares de espelhos? 
Eis aqui um grave assunto para um conto, uma novela, um romance, ou uma tese de mestrado em Psicologia.

Mário Quintana

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