Um acervo que começou no dia 7 de dezembro de 2010 e que acompanha vários momentos da minha vida, deixando registrado a transcrição de memórias, nós na garganta, revoltas, e um mundo de fantasias.
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domingo, 24 de março de 2013
Morte Súbita
A
gente tava junto, comendo a pizza do seu lugar preferido, jogando o papo fora,
rindo da cara um o outro, brigando antes de dormir e fazendo as pazes antes do
sono vim. Passando a madrugada olhando pra lua e rezando pra que amanhã o dia
fosse melhor. Uma batida na porta logo quando o sol nasceu e nenhuma resposta.
Duas, três, quatro batidas e o silêncio ia tomando conta. Medo, sem noção,
tensão. Abri a porta lentamente, você dormia, ou só parecia. Cheguei mais
perto, cadê o coração? Nada. Silêncio, para que fazer isso? Medo, desespero,
tensão. Procuro desesperadamente a lista telefônica, seria bom se a memória
guardasse coisas realmente úteis ao invés de músicas sem sentido. Os 5 minutos
que demorei para conseguir achar o número do hospital pareciam uma eternidade.
Os dez da demora daquela ambulância para chegar foram o fim. O fim, sim, quase
literalmente. Por quanto tempo uma pessoa sobrevive sem ar? Não era mais um de
seus mergulhos malucos contando quanto tempo você aguenta em baixo d’água, era
real, pura realidade. Adrenalina. Uma, duas, três, quatro e os médicos a
caminho do hospital com suas falas quase mecânicas e cronometradas “Carregando,
afastem-se!” e pum! Talvez aquela máquina – desfibrilador talvez – não tenha
sido muito útil hoje. Massagens, massagens, mil e uma sugestões, mas não, para
sobreviver, ou viver novamente, não são necessárias tantas “mil e uma
sugestões”. Oxigênio era só isso que se necessitava. Quinze minutos ao
hospital, o trânsito não ajudava. Lá as mesmas falas “Carregando, afastem-se!”
e nada. Minha vista embaçava, meu corpo ia ficando mole, não me aguentava mais.
Acordei com um choque, não um choque de “Carregando, afastem-se”, choque porque
estava eu lá no quarto do hospital sem nem saber o motivo. Não enxergava direito ainda, mas vi um homem
branco aproximando-se. Pegou na minha mão, perguntou se eu estava bem.
Perguntei de você e... “Sinto muito senhora, vai ficar tudo bem.” Entendi na
hora e desejei que o homem branco fosse um anjo.
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Para quê preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro.
ResponderExcluirC.
-> Bom texto
:. oradAin rtinCa
Morte não é um problema, é um fato. O que eu escrevi foi meu sentimento sobre algo que aconteceu com uma pessoa próxima a mim esses dias mesmo. Escrevi como eu penso que me sentiria no lugar dela. Foi uma inspiração.
ResponderExcluirEntretanto, obrigada =)
Carolina Zanforlin