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domingo, 9 de março de 2014

Católicos de porcelana

Sou a favor de pessoas que só falam sobre o que sabem e, por isso, seria pura hipocrisia vir e falar sobre as diversas religiões existentes. Vou, portanto, discorrer somente sobre aquela que eu nasci, e vivo, até hoje. O catolicismo foi, por décadas, a religião predominante no mundo, mas não é segredo a ninguém que a porcentagem de cristãos tem reduzido. Penso eu que as causas disso são os vários escândalos em que a Santa Igreja se envolveu nos últimos tempos. Entretanto, seria maçante escrever todo um texto sobre algo que é de conhecimento de boa parte da população. Recordando um pouco de história, na época do Absolutismo - que corresponde aos séculos XVI/XVIII - as pessoas chegaram a comprar cargos na Igreja, pois, naquele tempo, era “status” ser, de qualquer maneira, membro do clero. Três séculos depois, o que vejo não é uma situação tão diferente. Conheci muitas pessoas que iam à missa, às procissões, aos retiros, porque achavam “bonito”. E sim, estamos em pleno século XXI. Quando eu ia a alguma celebração religiosa era mais assustador ainda: por várias vezes e um grupo de jovens se apresentava: dançavam, apresentavam-se, faziam tudo o que sabiam (e não sabiam) e eu sempre questionava o porquê daquilo tudo. Sempre me perguntei se Deus, realmente, necessitava de danças e mais danças no meio de uma missa, momento sagrado, que deveria ser uma “conexão” dos fiéis com Deus, e a resposta que cheguei é que não. Não precisava daquilo, não precisava de nada daquilo. Além disso, nas poucas vezes que fui à missa, nesses últimos meses, percebi que ela – que, como já disse, é um momento sagrado, - estava virando um “show sagrado”. Televisões, slides, tudo de última geração. E, novamente, perguntei-me se tudo aquilo era necessário e cheguei à conclusão, de novo, de que não, de que algo estava errado. Retomando sobre as pessoas, é até patético. Não vou mentir e dizer que todas às vezes que fui à missa prestava atenção em tudo, ninguém presta, reparei, todavia, que a Igreja havia se tornado um “point” para os adolescentes. Chegavam sempre juntos, conversavam e ficavam mexendo no celular todo o tempo, e, depois, saiam para jantar em algum lugar. A Igreja então se tornou um daqueles lugares em que nós, jovens, nos encontramos para fazer um “esquenta” e depois ir a alguma festa. No entanto, não falarei somente dos mais novos, pois os mais velhos, alguns deles - por mais que tentem preservar essa imagem a todo custo - também não são “santos”. Assim como em uma empresa, onde se “puxa o saco do chefe” para fins diversos, na Igreja, da cidade local, o chefe torna-se o pároco, e ai tudo é mais complexo. Envolvem-se interesses. Para que? Para ficar mais próximo de Deus? O desfecho dessa história é que percebo que o próprio ato de “ter fé” perdeu o seu valor. Hoje, é necessário, somente, mostrar que você tem fé. Várias vezes me criticaram: amigos, parentes, porque parei de frequentar a Igreja e, por várias vezes, os confrontei dizendo que não precisava ir à missa e afins para acreditar em minha fé. Nossa fé não é reforçada porque vamos à missa todos os domingos, porque queremos participar de tudo o que a Igreja oferece (isso ajuda, claro), entretanto, nossa fé é reforçada no dia a dia. Católicos de porcelana que, simplesmente, não possuem a fé que mostram - a todo custo - ter dentro de si, são católicos no adjetivo, mas não no ato de ser.
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Nota: o texto foi escrito baseado em minhas experiências, sou incapaz de generalizá-lo para todos os lugares. Agradeço pela compreensão. 

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