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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Simplex, quae in vita

Há alguns dias estava no ônibus, indo para a faculdade, e me deparei pensando em algumas coisas, as coisas mais simples da vida. Quem anda de ônibus, por exemplo, sabe que, na maioria das vezes, são os mesmos cobradores, os mesmos motoristas, os mesmos trabalhadores, os mesmos estudantes e, com o passar do tempo, você percebe que cria laços com todas essas pessoas. Depois de duas semanas de aula me vi amiga do cobrador do ônibus, que, todos os dias, no mesmo horário, estava lá para me atender, um velhinho simpático, que certa vez, vendo-me segurar os quilos do meu Vade Mecum (estudantes de direito entenderão), quase desequilibrando, ofereceu ajuda e ainda brincou que era coisa demais para colocar na cabeça (e realmente acho que morrerei sem saber todas as leis e artigos existentes). Mas a verdade é, que nesse dia indo para a faculdade, por mais mórbido que seja, pensei em como ficaria quando o senhor não estivesse mais lá, todas as manhãs, no mesmo horário, para me atender, e talvez eu vá até mesmo antes dele – nunca se sabe o dia de amanhã, isso é fato – entretanto, percebi que realmente ficaria triste, triste em saber que não veria mais o tal velhinho que até hoje não perguntei o nome. Por trás disso, pensei na falta de cumplicidade existente hoje, no mesmo ambiente público do ônibus, vejo pessoas que entram com a cara amarrada e saem do mesmo modo (nada contra os dias ruins dos outros, todos possuem estes, todavia, isso, constantemente, não é saudável).  Precisa-se de mais “amor gratuito” e menos “ódio gratuito”. Amor e ódio são palavras fortemente antagônicas e fortes por si só, mas é a realidade. Hoje se espalha tanto o ódio gratuito pelos outros, pelas coisas, pela vida, por tudo, mas, dificilmente, (em comparação a todo esse ódio) vê-se as pessoas espalhando um pouco de amor, amor por desconhecidos, por qualquer um na rua e, obviamente, para os mais próximos também. Não custará nada dar um bom dia, agradecer mais aos serviços que são prestados, dar um sorriso singelo a um estranho na rua, e, na verdade, nós nem sabemos o poder que isso pode ter na vida de alguém. Voltando a história do tal velhinho cobrador do ônibus, nós nunca sabemos – e nunca saberemos – quanto tempo nós temos ou quanto tempo teremos com quem conhecemos, ou com qualquer outra pessoa e nunca é tarde para, simplesmente, sair espalhando um pouco de amor por aí. Se treinássemos isso como treinamos para sermos cada vez mais desconfiados, individualistas e rabugentos, não teríamos tanta tragédia estampada no mundo.

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