O que você não vê?
A roupa lavada, recolhida do varal há quase uma semana, empilhada no quarto.
Os papeis ao lado do lixo esperando para serem jogados fora.
Os cremes que já não são mais usados.
Os exercícios que foram deixados de lado.
Os livros que querem ser lidos, mas não são.
As atividades que deveriam ser corrigidas, mas não se corrigem.
Os trabalhos que deveriam ser entregues, mas continuam se empilhando.
O banho atrasado há dois dias.
As notificações cheias de remorso, mas que continuam sem resposta.
A comida, inflacionada, apodrecendo na geladeira, porque não é feita.
A cama com lençóis caros, que foram comprados em uma época boa, mas que não é arrumada mais.
O cabelo sem escovar.
O dente sem escovar.
O cansaço e sono sentidos vinte e quatro horas por dia.
A unha roída até o sangue e a carne.
As séries abertas na televisão, mas sem coragem de serem iniciadas.
Os filmes esperando na lista de espera.
O sentimento de frustração quando toca o alarme dos remédios.
A vontade sem vontade alguma.
O choro que não tem apenas um motivo específico.
Os incontroláveis pensamentos que assustam.
A sensação de pânico de: e se, dessa vez, não ter volta?
A espera sem fim.
EsperaesperaesPERAESPERAESPERA!
Es pe ra... e uma recaída.
O que tanto se espera? O que é essa espera?
A esperança de uma nova era?
O que você vê?
O que você escolhe ver?
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