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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Recordações

Safira, Jade, Tom, Jerry, Milk... Infelizmente, comecei a esquecer-me dos nomes, mas espero que nunca me esqueça deles.
Já tive muitos gatos, mas muitos mesmo. Em dois períodos, aqui em casa chegaram a ter uns 20. Eu era apaixonada pelos filhotinhos, era uma dor vê-los irem embora. Eu via - literalmente- eles nascerem, dava leite na mamadeira quando a mãe já tinha esgotado (ou de leite ou de paciência mesmo), limpava os olhos quando infeccionavam, tomava todo cuidado do mundo para não pegá-los se tivesse lavado a mão ou passado perfume (porque se eles ficarem com outro cheiro a mãe pode rejeitá-los), aprendia como segurar pelo cangote. Eu cresci no meio disso tudo.
Tantas histórias... Milk, por exemplo, é a gata que chegou e não conseguiu enturmar-se com nenhum outro gato (ela sofria bullying, sério), só conseguiu fazer amizade com a Duda, uma cachorrinha que - literalmente- entrou em casa, mas fica para a próxima. Também teve um dia que ela caçou um lagarto, enorme, gigantesco, mas muito grande mesmo, trouxe para a sala e passou a tarde toda degustando o coitado (fiquei meio traumatizada com isso, porém a gente supera). Ela acabou sumindo, mas a gente meio que já esperava, ela só ia em casa para comer, beber, dar um oi para a Duda e depois ia embora, acostumamo-nos.
Bom, temos que falar da Safira, ah, Safira... Perdi as contas de quantas vezes ela deu cria. E não, não dava nem tempo de a gente tentar marcar uma castração que ela já aparecia grávida de novo. Se ela tivesse um perfil no falecido Orkut seria 100% sexy. Ela era muito brava, mas eu e ela tínhamos uma... conexão (particularmente eu acho que tenho uma conexão com todos os animais, mas acho que nunca vou saber se isso é verdade ou se é só porque eu amo eles, enfim), desconfio disso por conta de duas situações: uma vez fui para Franca de férias e, segundo o especialista em gatos, meu pai, quando eu voltasse a Safira já teria dado cria. Demorei mais que o previsto e nada daqueles filhotinhos nascer, mas, no dia que eu cheguei, a dita cuja miou: "Hoje! É hoje!". Eu nunca gostei de assistir os partos, é muito sofrimento, então, quando a bolsa dela estourou eu falei: "Olha, vou lá pro quarto, daqui a pouco eu volto". Acontece que (se você tem estômago fraco, feche os olhos) ela saiu com o gatinho pendurado, nascendo, atrás de mim. Sim, ela fez isso. Então eu tive que voltar, e ficar do lado dela esperando nascer todo mundo. Senti-me honrada, mas assim...Não precisava, sabe? Outra vez, ela também estava dando cria, entretanto, nesse dia, eu estava sozinha em casa. Eu, ela, e uma bolsa estourada. Quando vi, liguei pro meu pai desesperada tipo: "Olha, tá nascendo! O que eu faço?! Não quero assistir!" e ele disse algo tipo: "Eu estou trabalhando, daqui a pouco chego". Eu fui esconder-me no meu quarto - de novo - e não deu outra: ela saiu de onde tava e deu cria na porta no meu quarto. Lembrando assim, acho que fui uma péssima irmã e companheira, mas eu juro que dei o meu melhor (fugindo). Agora, a última história da Safira, e a pior. Acho que nem deveria contar, mas vou contar sim, o mundo animal é fogo... Então, novamente, se você tem estômago fraco, pule para o próxima parágrafo. Em uma das vezes, Safira deu cria dentro daquelas "poltronas do papai", sabe? Aquelas que reclina. E, como habitualmente, antes de ir para o colégio eu dava uma olhadinha neles, pegava, via se tava tudo bem e etc. Mas, esse dia... Esse dia não foi como o habitual. Quando fui pegar um filhotinho ele estava... Sem cabeça. Pronto, falei. Eu não lembro direito qual foi minha reação, contudo eu devo ter entrado em colapso. Safira havia comido a cabeça do filhote. Meus pais foram no veterinário para perguntar porque diabos ela poderia ter feito aquilo e ele disse que foi porque, provavelmente, ela estava sentindo falta de alguma vitamina. Daquele dia em diante, ela sempre tomava remédios quando dava cria.
Agora temos o Tom, ele era filho da Safira, tinha todo o potencial para ser o alfa da casa: grande, forte, gordo, lindo, rajado com cinza. Foi um dos primeiros de sua cria que a gente deu. Ele foi para um rancho, bem longe de casa. Achávamos que nunca mais o veríamos, ledo engano. Uns dias depois, ele aparece lá em casa. Bem mais magro, sujo, cansado. Ele fugiu do lugar em que estava e foi farejando, dias e dias até chegar em casa. Depois disso, ninguém nem pensava em dá-lo de novo.
Jerry, como eu senti sua falta. Jerry era irmão de Tom, e ele era MUITO LOUCO. Ele era preto misturado com branco, lembrava o Nino (o primogênito dos meus pais, fica para a próxima). Minha mãe acha que foi culpa dela ele ser meio destrambelhado (ela tropeçou na Safira quando ela estava grávida deles, nunca saberemos essa foi a verdadeira a causa). Ele era meio desorientado, hiperativo, loucão. Corria para brincar até com as cachorras, não tinha o mínimo senso do perigo. Ele era amado, muito amado. Lógico que a gente gostava de todos, brincava com todos, mas Jerry era daqueles que você, simplesmente, ficava encantado por ele ser... Ele. Mas, talvez por conta de toda sua agitação, ele morreu cedo. Nós morávamos em uma casa que era bem grande, tinha um quintal e garagem enormes e, uma parte, era fechada, onde tinham mesa, rede e etc. Quando eu chegava já ia direto atrás deles, porque sempre ficavam os gatos, as cachorras, todo mundo por lá. Nesse dia eu cheguei com meu pai, já estava indo pegar o Tom, ele estava deitado na cadeira, com a cabeça pendurada para baixo, até que meu pai falou algo como: "Pera aí, acho que tem alguma coisa errada". Ele falecera. Parece que ele teve um infarto, ele havia espumado pela boca e enfim... Foi muito triste. Passei o resto do dia em negação. Todos sofremos, principalmente Safira, que mesmo depois que havia passado uns dias, ficava procurando por ele pela casa. Então, Jerry, muitas pessoas acreditam que você era só um gato, na verdade, muita gente acha que animais são só animais, e eu não acredito nisso, logo, quero registrar que você pode ter passado pouco tempo com a gente, mas você foi muito amado.
É, meus gatos são e foram incríveis. Amei intensamente cada um. Não passei tanto tempo com todos os quase 50 gatos que já tive ao longo desse tempo, como tenho passado com Miyuki ou o Balu - por exemplo - porque, uma hora, nós somos obrigados a nos despedir. Não é fácil, primeiro, financeiramente falando, manter todos eles e, por consequência, não é saudável, para eles mesmo. Gatos - por natureza - precisam manter seu território (não vou me alongar sobre isso, porque não sou expert no assunto, posso acabar falando besteira), por isso, tivemos que doá-los para pessoas em quem confiávamos, que esperávamos (e esperamos) que tenham dado todo amor e carinho para eles.
No final das contas, o que realmente importa, são os momentos que construímos com cada um. Contei só alguns dele, mas nossa família - meus pais, eu, nossos gatos, nossas cadelas - passamos por um monte de coisa, épocas boas e ruins que espero nunca esquecer, porque tudo vira aprendizado.

Da minha infância/juventude cercada de filhotinhos, vendo eles nascerem, crescerem, reproduzirem e, infelizmente, morrerem, eu sinto saudade, mas guardo o amor.

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