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sábado, 27 de fevereiro de 2016

20 anos

Nasce.Cresce.Reproduz.Morre.
Era uma vida tranquila, filha única, sozinha.
Ela, os gatos, a cachorra, as cachorras.
Música, herois, português, inglês, espanhol, francês, italiano, alemão.
Luiz Guilherme, Rafhael, Gustavo, "Thiago", Luiz Antônio, Paulo, outros.
Seis casas, quatro colégios, uma faculdade.
Uai, trem, tendi.
Sufocava-se com seus próprios defeitos.
Afogava-se nas suas próprias mágoas.
Enganava-se com suas próprias "superações".
Chorava. Desperava-se.
Atormentava-se, era atormentada por conta de seus erros.
Atenção, procurava por atenção.
Notem-me! E não façam isso como outro defeito, era um jeito de pedir socorro.
Cansada.
20 anos resolvendo sozinha seus problemas, lidando com suas confusões mentais, distúrbios de ansiedade, ataques de pânico, hiperatividade, timidez.
Esgotada,
Começou a chorar, mas não fazia mais isso encolhida de noite na cama.
Foi chamada de fraca, porque depois de tantas vezes só, resolveu mostrar que muita coisa não estava bem.
Pegou dependência.
Inseguranças, medo, falhou, falhou jurando que havia conseguido.
Foi uma facada, foi um tapa na cara.
Foi o ódio de saber que havia se esforçado, mas sabendo que a única coisa que as pessoas olhariam seria a falha, a falha dela mesma e não de todo resto ao redor.
Mundo ideal.
Passou anos presa achando que precisava disso e aquilo para ser feliz e, quando finalmente aprende a se livrar de algo que te afasta justamente da sua felicidade, é forçada a ser... infeliz.
Problemas, problemas, problemas.
"A isolada", "a esquisita", "a anti social", mas ninguém tenta mudar isso, já que ela não pode fazer nada, porque sabe que não é assim, ela só é... tímida.
Sonhos.
Abrir uma livraria, abrir um abrigo pra animais, cantar.
Chorou na palestra quando, finalmente, descobriu que tinha escolhido, pelo menos, uma coisa certa na vida. Professora.
Poderia ser ótima, mas a cabeça é cheia de questões que não têm respostas, cheia de problemas que não vê solução, cheia de inseguranças que já cansou de batalhar sozinha contra.
Cheia de dor,  cheia de poréns, cheia de história, cheia de opiniões.
Meio louca, meio estranha, mas é legal.
Isso é um apelo, para não mais seguir sozinha.

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