O que a gente pode esperar do futuro? Nós dois juntos,
com nossos filhos, bem velhinhos, sendo felizes? E se um dia desse tudo errado,
se um dia não fosse mais ‘nós’ e sim ‘eu’ e ‘você’? Se todas as nossas promessas
fossem meros equívocos, se nós ainda estivermos tão imaturos para amar, amar
aquele amor eterno, amar o amor que nunca acaba e que é amor, amor sem fim
mesmo com brigas, desentendimentos, separações breves, distância e saudade. A sim,
distância e saudade, separadas por uma linha tênue que separa também as juras
de amor que deixam claro ‘sempre superaremos a falta do contato físico, a falta
de um abraço nos momentos difíceis ou de um beijo no momento dos desejos mais profundos.
’. Saudade, sentimento conhecido por nós há anos, mais terrível que a dor e que
se alastra por kilômetros, quarteirões, números, países, cidades, estados,
ruas, avenidas, estradas e afins e que quando não aguentada se mostra pelos
olhos através das lágrimas. Saudade do amigo, saudade dos pais, dos parentes,
do caráter, da vida mansa, das brincadeiras, de uma escola, de 2+2 são 4 e de antes
de p e b se usa m. Saudade do amor, da ingenuidade, de palavrões inofensivos e
do que há de mais clichê no universo: SAUDADE da infância, SAUDADE do joelho
machucado, braço quebrado, pé torcido, dedo cortado que sempre doía menos que
um simples amor, que vem com tudo e abala nosso mundo e acaba com nossas forças
e nos deixa assim meio sem saída, ou então que vem com tudo, que abala nosso
mundo e trás assim mais energia, mais alegria, mais vida pra nossa vida. Mas e
nós? O que será de ‘nós’? Será ‘nós’ até quando? Será que o nosso ‘nós’ está
mesmo preparado pra tudo o que der e vier para nós? Ou será que o nosso ‘nós’
já está abalado por tudo o que já passou e talvez não aguente mais nós. Cairia bem
agora uma dose de coca-cola, um saco de bolachas e uma bola de cristal, dizendo
o que vem por ai pra nós, dizendo o que será de ‘nós’.
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