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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Mais um sobre a peste?

Assim como para qualquer outra coisa, para política cada um tem sua opinião. Política é como uma praga que se espalha de quatro em quatro anos em todo país e assim como todos os tipos de pragas, ela tem seus sintomas de como perceber quando ela está começando.
Primeiro: muitas pessoas que você nem o nome sabe vão começar a te dar oi na rua como se vocês fossem íntimos. Segundo: as ruas de seu município serão infestadas por músicas, na maioria das vezes paródias das que estão fazendo sucesso no momento apenas fazendo propaganda de algum candidato, e não, isso não dura somente no período da tarde, eles fazem questão de estragar sua manhã e noite também. Terceiro: seu facebook ficará repleto de propaganda política, gente que há quatro anos lutava com unhas e dentes em prol de alguém está falando mal daquele a quem tanto defendeu. Fotos com nome e número de prefeitos e vereadores serão constantes no seu mural. Quarto: magicamente as partes mais pobres da sua cidade receberão a visita de candidatos a prefeitos e vereadores que lhe farão promessas em cima de promessas para melhorar aquela rua que até hoje não foi asfaltada e que aguarda o prefeito de oitos anos atrás cumprir o que ele disse. Quinto: os famosos comícios terão a participação de candidatos falando dificílimo, usando palavras para mostrar o como eles são ‘inteligentes’ e que são usadas para tentarem, assim, tapear nós, os trouxas, a população cada vez mais ignorante e fácil de manipular com meras palavras nada usuais e promessas fajutas. Sexto: os carros de sua cidade poderão ficar infestados de adesivos por todos os lados somente pra deixar bem escancarado o nome e a foto (novamente, porque para a maioria da população é o que vale) de quem seria o melhor candidato para você. Sétimo: provavelmente você ouvirá a história de alguém que recebeu dinheiro para colocar um adesivo no carro ou qualquer outra coisa, mas não vai acreditar porque somos inocentes ao ponto de achar que a corrupção não atinge a nossa cidade. Oitavo: se você possui comércio perceberá claramente que muitos candidatos começaram a ir lá, não se assuste, se ele ainda não pediu voto, logo vai pedir. Nono: sua rua ou a porta da sua casa pode ficar infectada pelos famosos ‘santinhos’ também mostrando a foto e o número de qualquer candidato. Décimo: depois disso tudo e possivelmente mais coisas, você estará completamente dominado por essa peste que a cada quatro anos vem mais forte.
Não se deixe manipular, do que adianta passar milhares de vezes na televisão o modo de e prevenir dessa doença se você não toma os devidos cuidados? Do que adianta as pessoas reclamarem tanto dos políticos se, facilmente, elas aceitam propina, vendendo assim seu voto, que nos tempos de hoje é basicamente um dos únicos modos de mostrar sua opinião, já que mesmo que falem que toda a ditadura de antes tenha acabado, sabemos muito bem que ainda há muita censura no Brasil, haja vista as constantes greves e revoltas - não tão acaloradas como as de antigamente - que são reprimidas a base da violência por militares a mando do governo.
Do que adianta vocês reclamarem tanto dos políticos se a única coisa que vocês fazem é postar frases revoltadas em redes sociais, comparando governantes brasileiros com os de fora (que também não estão servindo de exemplo). Do que adianta, se o governo faz de tudo para continuar nos deixando ignorantes e abestalhados, para que assim, nunca possamos ver como eles dão de ombros a cidade, estado, país ao qual ele foi escolhido para representar.
Ainda hoje, a famosa política do pão e circo começada pelos romanos, vem sendo usada, observem em cidades pequenas, por exemplo: festas são feitas por qualquer motivo, e assim a quantidade de dinheiro desviado é assustadora. Fazem pequenas obras, reformam um ou outro edifício público somente para a sociedade se enganar achando que está tudo uma maravilha. Olhem o Brasil, olhem essa quantidade de bolsas de todos os tipos que são distribuídas e que no fim resulta, talvez, em um salário mínimo para uma família de cinco pessoas desempregadas, porque emprego também não tem.
Percebam como vocês são manipulados, apenas com fotos de candidatos dando um prato de comida a um pobre na rua e que fazem questão de mostrar onde puderem o quão ‘humildes’ eles são. Percebam como somos feitos de trouxas, trouxas que são tratados como burros, trouxas que por trás daquele sorriso falso e forçado tão mostrado em fotos, deve estar uma risada calorosa de vitória pensando em como foi fácil conquistar mais uma vila pobre com apenas alguns trocados.
Reparem em como não é preciso ir longe para ver que a política é uma peste que vem para arrasar tudo o que vê pela frente. Acaba com famílias, acaba com sua própria cidade e sabem por que? Porque nós, seres humanos, que nos gabamos tanto por serem animais racionais, deixamos de o ser a tempos.
Em tempo da peste, nos tornamos verdadeiros animais que caçam uns aos outros, que fazem o que pode e o que não pode para chegar ao topo, nos tornamos meros animais irracionais. E não só no tempo da peste, durante os quatro anos em que essa doença fica controlada, políticos continuam sendo animais, porém animais domados, animais que continuam pensando somente no bem de si próprio, fazendo uma coisa ou outra para que daqui quatro anos possam se tornar os ferozes animais irracionais de antes, esquecendo os bons costumes e deixando se levar novamente pela peste.
Talvez política não fosse uma peste se soubéssemos nos controlar diante o dinheiro e o poder. Talvez política não fosse diretamente ligada a corrupção se os políticos fossem mais sensatos e criassem vergonha na cara. Talvez propostas como: vou diminuir meu próprio salário, não fossem ridicularizadas se alguma coisa para acabar com a falta de ética no Brasil e no mundo fosse feita. Talvez haveria menos pessoas reclamando do governo se recomeçassem as fervorosas revoltas de antes que tanto já conseguiram mudar. Talvez as pessoas seriam menos manipuladas se buscassem se tornar mais informadas. Talvez exista sim um político que não seja corrupto e que esteja mesmo pensando em fazer o bem. Talvez eu não o conheça ainda. Talvez eu esteja errada. 

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