Assim
como para qualquer outra coisa, para política cada um tem sua opinião. Política
é como uma praga que se espalha de quatro em quatro anos em todo país e assim
como todos os tipos de pragas, ela tem seus sintomas de como perceber quando
ela está começando.
Primeiro:
muitas pessoas que você nem o nome sabe vão começar a te dar oi na rua como se
vocês fossem íntimos. Segundo: as ruas de seu município serão infestadas por
músicas, na maioria das vezes paródias das que estão fazendo sucesso no
momento apenas fazendo propaganda de algum candidato, e não, isso não dura
somente no período da tarde, eles fazem questão de estragar sua manhã e noite
também. Terceiro: seu facebook ficará repleto de propaganda política, gente que
há quatro anos lutava com unhas e dentes em prol de alguém está falando mal
daquele a quem tanto defendeu. Fotos com nome e número de prefeitos e
vereadores serão constantes no seu mural. Quarto: magicamente as partes mais
pobres da sua cidade receberão a visita de candidatos a prefeitos e vereadores
que lhe farão promessas em cima de promessas para melhorar aquela rua que até
hoje não foi asfaltada e que aguarda o prefeito de oitos anos atrás cumprir o
que ele disse. Quinto: os famosos comícios terão a participação de candidatos
falando dificílimo, usando palavras para mostrar o como eles são ‘inteligentes’
e que são usadas para tentarem, assim, tapear nós, os trouxas, a população cada
vez mais ignorante e fácil de manipular com meras palavras nada usuais e
promessas fajutas. Sexto: os carros de sua cidade poderão ficar infestados de
adesivos por todos os lados somente pra deixar bem escancarado o nome e a foto
(novamente, porque para a maioria da população é o que vale) de quem seria o
melhor candidato para você. Sétimo: provavelmente você ouvirá a história de
alguém que recebeu dinheiro para colocar um adesivo no carro ou qualquer outra
coisa, mas não vai acreditar porque somos inocentes ao ponto de achar que a
corrupção não atinge a nossa cidade. Oitavo: se você possui comércio perceberá
claramente que muitos candidatos começaram a ir lá, não se assuste, se ele
ainda não pediu voto, logo vai pedir. Nono: sua rua ou a porta da sua casa pode
ficar infectada pelos famosos ‘santinhos’ também mostrando a foto e o número de
qualquer candidato. Décimo: depois disso tudo e possivelmente mais coisas, você
estará completamente dominado por essa peste que a cada quatro anos vem mais
forte.
Não
se deixe manipular, do que adianta passar milhares de vezes na televisão o modo
de e prevenir dessa doença se você não toma os devidos cuidados? Do que adianta
as pessoas reclamarem tanto dos políticos se, facilmente, elas aceitam propina,
vendendo assim seu voto, que nos tempos de hoje é basicamente um dos únicos
modos de mostrar sua opinião, já que mesmo que falem que toda a ditadura de
antes tenha acabado, sabemos muito bem que ainda há muita censura no Brasil,
haja vista as constantes greves e revoltas - não tão acaloradas como as de
antigamente - que são reprimidas a base da violência por militares a mando do
governo.
Do
que adianta vocês reclamarem tanto dos políticos se a única coisa que vocês
fazem é postar frases revoltadas em redes sociais, comparando governantes
brasileiros com os de fora (que também não estão servindo de exemplo). Do que
adianta, se o governo faz de tudo para continuar nos deixando ignorantes e
abestalhados, para que assim, nunca possamos ver como eles dão de ombros a
cidade, estado, país ao qual ele foi escolhido para representar.
Ainda
hoje, a famosa política do pão e circo começada pelos romanos, vem sendo usada,
observem em cidades pequenas, por exemplo: festas são feitas por qualquer motivo,
e assim a quantidade de dinheiro desviado é assustadora. Fazem pequenas obras,
reformam um ou outro edifício público somente para a sociedade se enganar
achando que está tudo uma maravilha. Olhem o Brasil, olhem essa quantidade de
bolsas de todos os tipos que são distribuídas e que no fim resulta, talvez, em
um salário mínimo para uma família de cinco pessoas desempregadas, porque
emprego também não tem.
Percebam
como vocês são manipulados, apenas com fotos de candidatos dando um prato de
comida a um pobre na rua e que fazem questão de mostrar onde puderem o quão
‘humildes’ eles são. Percebam como somos feitos de trouxas, trouxas que são
tratados como burros, trouxas que por trás daquele sorriso falso e forçado tão
mostrado em fotos, deve estar uma risada calorosa de vitória pensando em como
foi fácil conquistar mais uma vila pobre com apenas alguns trocados.
Reparem
em como não é preciso ir longe para ver que a política é uma peste que vem para
arrasar tudo o que vê pela frente. Acaba com famílias, acaba com sua própria
cidade e sabem por que? Porque nós, seres humanos, que nos gabamos tanto por
serem animais racionais, deixamos de o ser a tempos.
Em tempo
da peste, nos tornamos verdadeiros animais que caçam uns aos outros, que fazem
o que pode e o que não pode para chegar ao topo, nos tornamos meros animais irracionais.
E não só no tempo da peste, durante os quatro anos em que essa doença fica
controlada, políticos continuam sendo animais, porém animais domados, animais
que continuam pensando somente no bem de si próprio, fazendo uma coisa ou outra
para que daqui quatro anos possam se tornar os ferozes animais irracionais de
antes, esquecendo os bons costumes e deixando se levar novamente pela peste.
Talvez
política não fosse uma peste se soubéssemos nos controlar diante o dinheiro e o
poder. Talvez política não fosse diretamente ligada a corrupção se os políticos
fossem mais sensatos e criassem vergonha na cara. Talvez propostas como: vou
diminuir meu próprio salário, não fossem ridicularizadas se alguma coisa para
acabar com a falta de ética no Brasil e no mundo fosse feita. Talvez haveria
menos pessoas reclamando do governo se recomeçassem as fervorosas revoltas de
antes que tanto já conseguiram mudar. Talvez as pessoas seriam menos
manipuladas se buscassem se tornar mais informadas. Talvez exista sim um político
que não seja corrupto e que esteja mesmo pensando em fazer o bem. Talvez eu não
o conheça ainda. Talvez eu esteja errada.
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